11 agosto 2016

#Resenha : Traços – Eduardo Cilto Por Editora Planeta (selo Outro Planeta)



Traços é o romance de estreia do Edu criador do Perdido nos Livros publicado pela Editora Planeta.
Confesso que eu estava com medo de escrever sobre esse livro e pensei bem – ainda me considero pensante sobre o assunto na verdade – sobre como ia escrever essa resenha. Mas, vamos lá, gosto de desafios.
O livro é narrado em primeira pessoa por Matheus, um adolescente do terceiro ano do ensino médio que leva uma vida normal, como todo adolescente prestes a se formar na escola, embora Math tenha sua singularidade, essas que me fizeram gostar ainda mais dele. Math tem uma “amiga” chamada Beatriz, que é, no entanto, bem diferente dele. Enquanto Math é mais na dele, caseiro, gosta de quadrinhos e não é de muitos amigos; Bia é o oposto, está no segundo ano, é de mais amigos, espontânea e sem o menor temor com as consequências. 
Em uma festa da escola onde Math acaba por acompanhar Bia, uma coisa meio louca e inesperada acontece e tudo muda de uma hora para outra. A noite acaba com os dois jovens participando de um ritual místico – duvidoso, louco e tenebroso até – onde buscavam saber o que o futuro havia traçado para eles. Com uma resposta estranhamente duvidosa nas mãos, Beatriz entende que precisa encontrar com seu destino e, na companhia de Matheus – que de início achou aquilo tudo loucura, mas acabou concordando – os dois partem para a cidade grande, São Paulo.
Fugindo e contando os centavos que tinham em mãos, os dois passam por poucas e boas para então conseguirem chegar ao destino tão esperado por Beatriz. Porém, como se o destino já não estivesse meio conturbado para os dois, Matheus descobre algo que pode simplesmente mudar tudo. Agora, eles não fazem a menor ideia do que estão enfrentando e do que está por vir. Algo totalmente inesperado vai mudar suas vidas de uma hora para outra de uma forma que jamais esquecerão.
A história, claro, não é só isso. Mas, juro que não posso falar muito, porque vocês terão que descobrir sozinhos, ou vão me matar por ter contado.
É o seguinte: o livro é magnificamente cheio de reviravoltas – como nos diz Thalita Rebouças logo na capa – e tudo acontece de repente. Quando menos se espera, as coisas mudam e – pá! – você já está ansiosa novamente para o que está por vir. O que mais me deixou embasbacada foi o jeito que o autor tratou vários assuntos, de muita importância e cheios de tabus, de forma simples e leve. Achei que os temas que envolvem a trama são superválidos e foram muito bem tratados. Assuntos sobre a amizade, a confiança, autoestima, autoconfiança, preconceito, família, aceitação, ídolos na internet e sucesso.
Fiquei extremamente tocada com os dois últimos temas citados, pois foram os que mais me impactaram no livro, além da questão do preconceito narrado de forma espetacular e forte. Mostraram uma parte que eu jamais havia pensado ser possível. Edu, meu caro, você conseguiu me pegar de jeito com esse assunto e, principalmente, com o final que me deixou de queixo caído. Fiquei me perguntando “como assim?” durante horas. Da próxima vez, por favor, não quebre meu coração novamente. Obrigada, de nada!
Os personagens foram muito bem criados e, claro, é impossível não querer passar horas ao lado do Math, fofo. Achei Beatriz meio louca e inconsequente, mas a julgar por sua idade (16 anos) e sua família, dá para entender perfeitamente suas ações. Ora, ela é meio doidinha, mas é aquele negócio, como diz Edu “Pessoas normais me fazem bocejar”. Outro personagem que me ganhou foi a Samantha, uma amiga que Math encontra em São Paulo, que abriga os dois e ajuda em tudo. Samantha é aquele tipo de pessoa que você pode contar, dá vontade de carregar pra casa e manter uma amizade linda e duradoura, se foi essa a intenção do autor, acertou em cheio. 
Galera, é isso! O livro trata assuntos importantíssimos para qualquer adolescente, adulto, criança, gente de todas as idades, de forma leve, objetiva e surpreendente. Como disse, o final vai te tirar o fôlego e vai te fazer se questionar sobre a vida e um monte de coisas predominantes.
Eu gostei muito do livro, da escrita do autor que foi muito fluída e caprichada. O livro tem 270 páginas, dá pra ler rapidinho. No começo, não me prendi muito, mas não durou até que as reviravoltas começassem e aí eu li tudo em um único dia – se for contar, horas, na verdade. A capa do livro é impressionantemente linda, eu amei, de verdade. A Planeta fez um ótimo trabalho junto aos projetos do Edu, enfim, fizeram um livro muito legal mesmo e que merece ser lido e repassado por aí, pois a mensagem deixada é bem legal e impactante. 
Parabéns Edu, por conseguir me surpreender totalmente, confesso que é difícil isso acontecer, pois eu tô sempre com a orelha em pé imaginando milhões de coisas e acabo sempre acertando no final, com o seu final, não foi assim. Realmente me surpreendi!
Nota: 5/5 
Sâmela Faria 
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07 agosto 2016

#Resenha: Trilogia O Teste – Joelle Charbonneau Por Editora Gente (selo Única)

             A resenha de hoje é coletiva, pois achei que ficaria desconexo se eu resenhasse cada livro separadamente. Pois bem, se você é fã de Divergente e Jogos Vorazes, vai virar fã da trilogia O Teste rapidinho. Sim, essa trilogia maravilhosa pode ser vista como uma mistura de Divergente e Jogos Vorazes e, só por isso, já dá pra saber quantas vezes você vai ficar sem fôlego, né?!
Vou falar um pouquinho sobre cada um dos livros que compõem a trilogia e dar a minha opinião no final. Como vou falar sobre todos, alerto de SPOILER a partir do segundo livro. Na segunda resenha, onde falo do segundo livro, tem spoiler do primeiro livro e a terceira resenha, em que falo do terceiro livro, há spoiler dos dois primeiros.

O Teste – Livro 1
As coisas que mais me instigaram no primeiro livro foram as frases em sua capa:
- Mantenha seus amigos por perto e os inimigos mais perto ainda, não é o que dizem? Mas como agir quando amigos e inimigos são as mesmas pessoas?
- Seu tempo está acabando...
- Não confie em ninguém.
E aí? Não te deixaram curioso (a) também?
O livro começa contando sobre uma jovem que no dia da sua formatura em Cinco Lagos (colônia onde vive) o que mais ela espera é ser selecionada para o Teste, que quase nada se sabe sobre. O que se sabe sobre o Teste é que ele é um programa feito pela Comunidade das Nações Unificadas para selecionar os melhores e mais brilhantes estudantes recém-formados para que possam se tornar líderes e ajudar a reconstruir o mundo pós-guerra. Esses alunos frequentarão, então, a universidade tão sonhada por todos.
Quando Malencia Vale (Cia) é chamada para o Teste, todos a parabenizam, menos seu pai que se mostra preocupado com seu futuro. Seu pai, que também já havia sido selecionado para o Teste e que passou por ele, dá a Cia várias advertências para seguir, no entanto, ele não pode lhe dizer muito, pois ele – como todos os outros estudantes que passaram pelo Teste – teve a memória apagada. Mas uma coisa ele lhe diz com toda seriedade: Não confie em ninguém! Deixando Cia com medo e atenta a tudo ao embarcar.
Cia embarca com mais três amigos, entre eles está Tomas, enquanto os outros se mostram ansiosos, Cia permanece em estado de alerta. O que ela jamais poderia imaginar de mais terrível está pra ser descoberto e ela e os outros terão de se mostrar fortes o suficiente para sobreviverem.
O Teste seleciona por ano os melhores estudantes recém-formados de todas as colônias. É realizado, em Tosu City, em quatro etapas. E é aí que Cia começa a ver vestígios do terror que ela terá de enfrentar dali por diante se quiser passar pelo teste. São quatro etapas de pura sobrevivência, contudo, os amigos podem virar inimigos sem que você perceba, pois é aquele negócio: regra de sobrevivência, você vai primeiro. Em quem confiar quando a única coisa que lhe resta é sobreviver? Seus amigos são mesmo seus amigos? É possível confiar em seus instintos? E se não, vai confiar em quê? Afinal, vale a pena matar para sobreviver?
Cia encontra em Tomas – seu amor desde mais nova – a confiança que seu pai lhe disse para não deixar existir, mas será que ela está fazendo a coisa certa? E seus amigos da colônia Cinco Lagos são confiáveis? Em que/quem confiar quando nem em você é possível?
Eles terão de passar pelo Teste se quiserem sobreviver, porém o Teste não vai aliviar nem um pouquinho. A luta pela sobrevivência começa.

Estudo Independente – O Teste 2
Após passar pelo Teste, Cia tem seu lugar na Universidade junto a Tomas, seu amor. Os estudantes que passaram pelo Teste, 20 de 108, terão que fazer mais um teste para serem designados aos estudos que lhe couberem melhor, aqueles que não passarem, serão Redirecionados. Há um mistério em volta desse redirecionamento, afinal, para onde vão os que não se encaixam no sistema de seleção?
Cia queria ser designada para sua área de estudos onde sempre se saiu melhor, porém é surpreendida ao ser designada para outra completamente diferente, a que ela menos queria. Enquanto Tomas foi para sua área de estudo que sempre quis.
Separada de Tomas, Cia segue para seus estudos e sua república. Ela que já havia descoberto algo que faz com que sua memória, apagada pelo Teste, retorne, se vê confusa sobre seus ideais. Agora ela sabe o que aconteceu no passado e segue com o mesmo estado de alerta, diferente de seus colegas de classe. Desconfiada com o que aconteceu para que ela pudesse estar ali, Cia tenta descobrir mais sobre o programa de seleção para a universidade, o Teste, e acaba se envolvendo demais, gerando suspeitas e sendo monitorada a todo tempo.
Em meio a tudo, ela ainda deve se manter ativa em sua grade de 9 matérias escolhidas para ela, uma das maiores grades da universidade. Após ser direcionada para o estágio, sua vida muda e ela ganha melhores oportunidades para o que tem em mente.
Agora sua escolha deverá ser entre manter as coisas como estão ou tentar acabar com o Teste. Cia descobre um grupo de rebelião contra o Teste e suas escolhas se intensificam. Disposta a ajudar a rebelião a acabar com o Teste e só havendo um jeito, Cia o procura. Quando acha, percebe o erro grave que cometeu.
E agora?

A Formatura – O Teste 3
Agora que Cia percebe o erro, quer consertar as coisas, mas para isso corre muito perigo, pois está envolvida com os mais poderosos que mantêm a universidade ativa e, principalmente, o Teste.
Já envolvida, Cia não consegue parar de pensar em como as coisas têm acontecido e o propósito delas. 
Quando Cia recebe uma poderosa missão da presidente, suas escolhas tomam um único caminho e agora ela vai precisar unir toda ajuda possível. Contando com seus amigos, incluindo Tomas, ela elabora um plano para que sua missão seja cumprida.
Que escolha será essa? Dessa vez ela poderá confiar em seus amigos? E, principalmente, em seus instintos? Como ser forte quando há muita coisa em jogo? Conseguirá ela cumprir a missão? E depois de cumpri-la, o que irá mudar? Afinal, quem está falando a verdade?
Cia e seus amigos lutam agora não só contra o Teste, mas contra a rebelião que pretende atacar criando uma guerra. Seu plano não poderá dar errado e, mesmo que dê certo, ela poderá perder aqueles que lhe deram apoio. Em torno de tudo, só há uma última coisa a dizer: O Teste final é o mais mortal.
Gente, eu li os três livros muito rápido. E fiquei extremamente intrigada com todos eles, pois um me levava a desejar engolir o outro. Os personagens foram muito bem criados e a história tem todo um contexto, tudo se encaixa. Nos dois últimos livros, há vários trechos que explicam o primeiro rapidamente, assim não dá pra poder esquecer nenhum detalhe, porque todos são muito importantes para o desfecho e o enredo por completo.
Eu gostei muito da trilogia e super recomendo. Todos os três livros têm 318 páginas, acreditem. Você vai quebrar seu coração várias vezes, vai perder o fôlego a cada nova página, não vai querer largar o livro e, principalmente, vai se surpreender cada vez mais. Até que no final, ah, no final, meus leitores, vocês irão suspirar de surpresa. Dá pra sacar algumas coisas, mas, a maioria delas é difícil demais de descobrir. Você só pode ler até o fim para saber o que acontecerá.
E aí, você confia em seus instintos?
Nota: 5 / 5 
Sâmela Faria

26 julho 2016

Quando foi que a gente virou romance?



Ainda sinto um nó na garganta desde que a gente virou filme. Sabe aquele filme que te dá vontade de assistir mais de uma vez? Com um pote de sorvete de flocos nas mãos? Sem se importar com as horas e com os dias? Não me refiro a uma mísera depressão amorosa. Não me refiro a uma mísera dor que nunca acaba. Eu me refiro a um filme que passou rápido demais, um filme maravilhoso, um filme que não precisou ganhar o Oscar para ganhar meu coração. Afinal, quando foi que a gente virou romance?
Ainda sinto uma vontade absurda de contracenar novamente, nem que seja por um dia, uma noite, uma hora. Apesar de eu nunca ter gostado de pessoas pela metade, eu aceitaria um pedacinho de você nesse momento. E talvez seja o suficiente para que aquela maldita porta não seja cúmplice da sua amargurada ida. Ida sem vinda não é bem-vinda, sabe? Já te contei antes que em meu coração não há espaço para despedidas. Então, você foi sem um adeus. Sem um mísero “até um dia”. Porque não haverá esse dia, nós dois sabemos bem.
Olha que coisa estranha: pronunciar “nós dois” sem que seja real. Não é real. Talvez seja apenas uma vontade absurda do coração de projetar você na minha vida novamente. Não porque eu esteja assistindo a filmes dramáticos e melancólicos com um pote enorme de pipoca caramelada nas mãos todas as noites. Não por eu já ter quebrado uns pratos por estar distraída o bastante para as tarefas da casa. Não por eu estar forçando um riso amarelo na frente das pessoas que pronunciam seu nome como se isso não fizesse amolecer meu pobre coração. Mas porque você valeu. Valeu cada segundinho do meu tempo. Valeu cada piscadela acelerada que troquei contigo ao te ver chegar por aquela porta.
Você valeu muito, droga. E, talvez por ter valido tanto, esteja cutucando com ardência máxima a minha alma. Talvez, por isso você esteja fazendo parte dos meus infinitos dias de vasculhar e revirar nossos momentos pela casa. Casa, palavra tão pequena, mas que contemplou coisas tão grandes. Talvez, só talvez, por você ter sido essa coisa grande. Mas, ainda sendo grande, coube em meu coração de uma forma que jamais sairá. Eu só espero que a gente não se perca da gente, mesmo que tudo  que envolve a vida da gente tenha se perdido. Afinal, um filme não é o mesmo sem o mais importante protagonista. Ora, obrigada por ter me feito estrela de cinema e por ter atuado em um dos mais belos filmes que meus olhos já viram e que meu coração já contemplou. Você foi o filme que mais me marcou. O predileto, talvez, mas, só talvez. 
Sâmela Faria

25 julho 2016

Para quando o coração angustiar




Esse texto foi escrito ao som de James Arthur, clique aqui e ouça também. 
Tava tudo indo muito bem. Sua máscara de todo dia estava no lugar certo, como sempre. E você já decorou até que tom um riso precisa atingir para parecer convincente. Parecia estar tudo normal, os dias, as horas; o modo automático não dava problemas por um bom tempo e você até se convenceu de que estava mesmo bem. Só que, quando a gente fica no silêncio, nem que seja por alguns míseros minutos, ouvimos os sussurros da alma latejarem em nosso peito. Ouvimos o grito de desespero que tentamos de tudo para abafar.
É possível enganar o mundo lá fora, mas o mundo aqui dentro, não. Ele vai te fazer despertar da carcaça moldada para enfrentar os curiosos. Porque seu interior pode ser disfarçado para todos, menos para você. E você sabe que tudo se transforma quando o silêncio vem. Tudo volta para a realidade que, mesmo sendo dura, é preciso ser superada. Ora, meu bem, quando seu coração angustiar, olhe para o espelho e procure em seus olhos em que momento da vida foi visto a felicidade partir.
Partiu?
Continue.
Quando seu coração angustiar, chore. Ponha pra fora mesmo, rasgue o peito. Chore profundamente. Acabe com sua cota de lágrimas para o ano inteiro. Mas chore tudo de uma única vez. Não fique presa nas migalhas de dor. Existem dores que não passam, apenas amenizam, apenas cicatrizam e, você sabe, cicatriz é uma marca, a dor também. Mas, ei, meu bem, todos nós possuímos uma, porque todos nós sofremos. Porque todos nós viramos noites chorando também. Ninguém nunca estará sozinho nessa.
Ninguém.
Só não podemos nos tornar coleciona(dores), certo?
Sabe qual é a parte boa disso tudo? É que, da mesma forma que existe a dor, existe o sorriso verdadeiro. Existe a alegria, dessas que brilham como o olhar de uma criança ao ver a mãe chegar. Essa alegria que brota no rosto de um amante ao saber que é amado. Essa alegria que surge até mesmo do nada, mas que pode se propagar quantas vezes a gente permitir. Entendeu? Permitir. Permita. Sempre, se permita. Não há dores que sejam eternas na mesma intensidade. Elas vão secando aos pouquinhos e viram manchas de um passado obscuro, mas que também teve sua parte feliz. Vai dizer que não? Eu sei que teve, você só precisa voltar a enxergar. Porque, quando nós estamos dentro da obscuridade da vida, só vemos aquilo que traz a angústia. Tornamo-nos cegos para as coisas boas. Tornamo-nos cegos para a vida.
Uma hora, meu bem, a gente aprende que não se deve lamentar para sempre as perdas, mas lembrar as chegadas e as existências. As idas a gente vai embaçando na memória, até que elas também viram manchas. Ninguém gosta de manchas, não é mesmo? Precisamos da profundeza da alma sem um pingar de amargura em cada canto do riso. Você pode fazer isso. Nós todos podemos. Já não digo mais que é preciso querer, porque, às vezes, só querer não basta. Mas digo que é preciso tentar. Sempre.
Tentou?
Continue.

Sâmela Faria
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