#11: A vida de um escritor

by - julho 11, 2020

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Quando escrevi minha primeira redação na escola, senti de uma alegria profunda. Saí correndo com a folha de caderno, escrita com letras ilegíveis, para mostrar a nota que havia ganhado da professora para minha mãe. Eu ainda não tinha a vocação para escrever. E também fingia que não queria ter.

Contudo, quando ganhei aquela nota, horizontes — até então — não descobertos por mim, ganharam vida, se tornaram claros como a luz do dia, para uma criança.

Lembro de estar no terceiro ano do ensino fundamental e “publicar” meu primeiro livro. A atividade era fazer uma história, não tão longa, não tão curta, que coubesse em uma folha de papel almaço e ilustrá-la.

Lá fui eu. Escrevi uma história de contos de fadas: um príncipe que vai para guerra, deixa sua amada princesa, passa-se anos e quando volta — olhe só —, sua amada princesa está grávida de um herdeiro. Claro que para os meus olhos — e de todos que leem essa crônica —, hoje em dia, jamais escreveria algo tão “cafona” como este.

Poderia não escrever hoje, porém escrevi e me senti feliz anos atrás. Joguei no papel, em forma de “contos de fadas”, a relação que tinha com uma amiga, uma colega de sala de aula. Eu nunca me imaginava príncipe — sim, desde aquela época já achava essas coisas bregas —, mas eu achava sim que, minha colega, era uma princesa. Não conhecia meus sentimentos — como não conheço até hoje —, só joguei no papel minha “paixonite”.

Todos espremiam-se para escrever e mostrar para a professora. Então lá fui eu, de novo, em um passe de — no máximo — cinco minutos, rubricar e terminar o meu conto de fadas. Recordo-me que minha professora adorou, achou divinamente bom aquela coisinha chamada “texto”.
Por eu ser criança e estar no terceiro ano do fundamental, acho que, certamente, ela me disse aquilo para me motivar, me fazer ir além. Pois bem, aquele elogio dado foi muito mais que uma simples motivação: foi a abertura para um novo ‘eu’, o ‘eu’ escritor.
Me arrependo amargamente de não ter nem o texto e nem o “livro” guardados em minha posse. Acho que ficaram com minha professora.
Nunca esquecerei do último dia dos trabalhos finais para terminar aqueles livretos, onde minha professora me confidenciou: “Olha, não fala para ninguém, mas a sua história é a minha favorita”. Repito: a motivação cercada toda diante de mim foi muito mais, foi além.
A partir desse momento a vida de escritor abriu-se para mim, como bem disse. Aposto que se acaso o destino tivesse mudado algo, por exemplo, eu mesmo não estaria relatando tudo isso aqui.
A vida de quem escreve é muito mais que umas simples junções de palavras em um papel em branco. Quando você motiva uma criança a desenhar, a escrever, você a faz se tornar algo desde criancinha.
Clarice dizia:
Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Sim, eu sou escritor desde criança. Agora, por favor, não importando sua idade, seja você também!

PS: Obrigado, minha querida Letícia Volpe! Seu texto "Novo MundoVelho" me deu inspiração para escrever esta crônica! Muchas gracias!



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