#7: Melhores amigos

by - maio 19, 2020

melhores amigos texto

Não é que devíamos ter um pouco de orgulho de ser amigo um do outro. Particularmente, nós nos completávamos-nos inteiramente. Eu sentia um carinho enorme por ela. Era, querendo ou não, um carinho mútuo entre nós dois. O nosso único problema era sermos apaixonados um pelo outro também. 

E sermos  apaixonados trazia outro problema: o ciúmes. Sentíamos ciúmes que chegavam a ser neuróticos. Minha irmã e meus pais achavam —  e com toda razão desse mundo — que acabaríamos namorando, casando e tendo filhos. 

Eles não estavam errados. Porém, o caso e acaso, não ocorreria, só pelo simples fato de eu me engraçar com Deus e o mundo, enquanto ela era tímida, quieta, mas que se tornava orra-louca divinamente.

Até que chegou o temido dia que, os dois, bêbados, revelamos nossa paixão — de mel e limão — um para o outro. 

Não sei como sobrevivemos depois daquilo. Soltamos mágoas guardadas um do outro. Como uma paixão poderia nascer no meio de dois amigos que sentem ciúmes e guardam mágoas um do outro? O canalha daquilo tudo, obviamente, era eu. 

Ela não tinha culpa nenhuma do sofrimento que eu a fiz passar. Era pura canalhice minha. Por motivos loucos — ou apaixonados, não sei — beijei-a. Ela retribuiu.

Enquanto beijávamos-nos, na rua, um carro de som, no último volume, tocava "Amor, meu grande amor", de Angela Ro Ro. Aí, sim, foi nosso êxtase. Tornamos nossa amizade, de certo modo, "colorida". 

Era  ali onde canalizávamos nossas frustrações. Como poderia dar certo? Algo estava muito errado.

Mudamos juntos para um apartamento no centro de São Paulo. Vivíamos na badalação total. Duas locomotivas. Só víamos um ao outro à tarde, quando acontecia nosso desbunde da vida, do mundo, de tudo.

Beijamos-nos, abraçamos-nos e cositas mucho más. Até que um dia a doce ilusão nos apunhalou. Não conseguíamos viver juntos, não conseguíamos ter um "namorico". Cansamos um do outro.

Depois de um certo tempão, encontrei-a de novo. Percebi que um cara estava tentando assedia-la. Cheguei perto, e disse "anjo meu" — um código, só nosso. — em alto e bom som. E claro, cumprimentei-a com um beijo e um grande abraço. O cara babaca, percebendo o clima, e depois da intimidada que dei, saiu, fingindo cinismo. Ela virou a mim e disse:

— Você sempre me salvando, hein, Guga?

Respondi com uma mini desesperança:

— Claro, somos melhores amigos.

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