Era verão quando a gente se amou

by - maio 14, 2020

amar alguém como fazer dar certo


Era verão. 

Eu tomava sorvete naquela noite. Lembro como se fosse ontem: eu, de vestido preto que roubei de minha irmã, e você, de bermuda e blusa branca. O sorriso de lado, jeito tímido e todo desengonçado. Sabe, nada parecido como nos livros

Eu até parecia outra, afinal estava animada demais para alguém que havia acabado de presenciar o fim do seu relacionamento. Mas eu estava "solta", como dizem hoje em dia. E sorri pro seu riso. 

Naquele banco da praça, não trocamos nem duas frases inteiras. As palavras ficaram no ar,  porque minha vontade mesmo era de te abraçar... um cheiro bom emanava de você, além de todo seu carisma mesmo sendo um total desconhecido. 

Eu fiquei encantada como nenhuma personagem clichê ficaria por sua falta de músculos aparentes. Sequer me lembrei que existiam homenzarrões nas comédias românticas. 

O que eu queria era o meu próprio conto de fada... E que, por favor, não fosse apenas magia, mas realidade também.


Sabe, não foi amor à primeira vista


Nós nos olhamos, quase não nos falamos e depois surgiu uma troca de mensagem. Duas. Três. E um primeiro encontro mais estranho que já tive na vida. Mas foi ali que fiquei vidrada nesses olhos tão carinhosos e jeito tão puro, quase inocente. 

Eu quis ter você num pote, entende? E então mais um encontro. Dessa vez, mais explosivo. Sua boca na minha, as mãos vagando sei lá por onde. Eu só queria você e o mundo que se danasse.


E foi assim que a gente se amou, mas ninguém descobriu logo de cara. Pelo menos três meses se passaram até que alguém resolveu dizer algo. Até que alguém resolveu dar um passo a mais enquanto o outro tentava fugir. 

Nesse caso, eu. A que sempre fugiu de mudanças e de coisas intensas porque já era intensidade demais dentro de mim. E aí eu explodi e convidei você pra minha combustão. Você se aninhou ali e eu decidi que era o melhor lugar onde eu poderia estar.

Ficamos. 

Nos entrelaçamos de um jeito estranho e diferente, porém sincero. Ninguém foi além das cartas na mesa. Ninguém forçou os cadeados das cicatrizes do outro. Talvez porque já não queríamos mais futucar feridas e remexer inutilmente aquilo que não poderíamos mudar. E aceitamos nossas fraquezas e defeitos. Aceitamos viver nossos dias sem muita expectativa e com todo amor que pudéssemos nos dar. 

Era verão novamente. 

E então percebemos que alguns bons meses já haviam dado adeus. E nós ainda estávamos ali: criando raízes. Fortes? Não sei. Persistentes? Sem dúvida. Nem sempre houve bons cuidados para com nossas folhagens, nós podemos dizer, certo? 

Mas sempre houve elementos X, sabe? Um companheirismo de irmandade. Uma reciprocidade que nem sabíamos o que era direito na época. Uma vontade de tentar sempre. De não desistir um do outro. 

Sempre houve amizade acima de tudo e amor na mesma intensidade. 


Mas, sabe, acho que o que nos fez ficar até hoje mesmo foi uma coisa: o desespero de fazer dar certo aquilo que com todas as nossas forças desejamos tanto. Não era um trabalho individual, mas mútuo. Éramos dois com um objetivo dentre tantos outros: ser felizes. Mas juntos.

E ainda somos.

Talvez o amor não aconteça e pronto. Talvez o amor seja a renovação do amanhecer ao lado de alguém durante tantos anos, mas ainda pensar a mesma coisa: como amo, admiro e desejo fazer dar certo.

É que não existe o "deu certo". O que existe é o "está dando certo". O deu certo é para o que já acabou, que já deu até deixar de dar, sabe? E quando a gente entende que é um "dar certo" constante, cuida todos os dias para que continue dando. 

Nós damos certo todos os dias porque todos os dias acordamos lutando pelo dia do amanhã juntos. 

Muitas estações se foram, mas a gente permaneceu como uma fotografia que, mesmo que se desbote com o tempo e fique amarelada, ainda conta toda uma história. A nossa.

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