Existindo em um mundo inexistente

by - abril 09, 2020



Não venta lá fora, mas aqui dentro já saiu tudo do lugar. Sabe quando a gente volta de viagem e encontra tudo revirado de quando estávamos fazendo as malas? Daí a mala foi enchendo e não coube tudo, então você deixa ali mesmo. Voltar de viagem é como acordar de um sonho e se perguntar "onde estou?" nem que seja por alguns segundos.

Hoje eu me pergunto onde estou, mas não dura poucos segundos. Dura horas. Dias. Semanas. E ainda não tenho resposta. Olho para fora, através do vidro da porta, e me pergunto quando foi que começou e ninguém percebeu. O desamor. A desatenção. A desilusão. O desafeto. A desconsideração. 
A
    De
          su
                ma
                        ni
                              da
                                     de.

Hoje o mundo inteiro fala e vive uma quarentena, mas, para mim, não está diferente do que a gente já vinha fazendo por debaixo dos panos. Nós vivíamos isolados uns dos outros, sempre com tanto peso nas costas que ficou impossível enxergar o peso dos outros. Ninguém quer carregar mais peso, ninguém quer o peso de ninguém. 

E no ar parece até haver toxinas que deprimem, que desaceleram, que descumprem as leis básicas da cidadania humana..., mas só hoje é que alguém percebeu. E ainda há os que não fazem nada. Ainda há os mesmos que antes não viram e que ainda não querem ver. 

O mais certo é que estejam fingindo não ver.

Sabe, tô cansada de existir em um mundo inexistente. Inexistente do mínimo possível para ser chamado de gente: empatia, amor, respeito, humanidade. Se meu telhado é de vidro e eu não quero que quebre, jamais poderei jogar pedra no dos outros, isso é uma regra que nossas mães sempre tentaram ensinar.

Mas muitos parecem não ter aprendido.

Eu não sei mais o que é existir quando há um mundo inteiro lá fora desmoronando como peças de um quebra-cabeça que ninguém teve a coragem de consertar quando ainda havia tempo. Hoje o tempo corre... Tanto que não há relógio que possa mensurar quanto tempo ainda temos.

No entanto, com toda minha sinceridade, desejo que ainda possamos virar o jogo. E, além de acabar com o que está ameaçando acabar com o mundo inteiro, que possamos acabar com o que a gente se tornou por esquecer o que é ser gente.

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