Melodramas,

Cicatrizes internas, não eternas!

dezembro 31, 2018 Sâmela Faria 6 Comments


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Olho para o espelho à procura de alguém. Um alguém que possa me dizer que não vai doer, que não vai haver sofrimento nem rancor. No entanto, o alguém que vejo no espelho já foi tão quebrado quanto qualquer outro alguém. Vejo suas cicatrizes. As externas, vejo, as internas, sinto. Olho para os olhos que tanto já derramaram lágrimas. Vejo suas falhas. Todas as vezes que tentou e não conseguiu. Todas as vezes que correu atrás, mas desistiu sem antes encontrar o que precisava. Vejo suas nuvens carregadas de um nublado escuro, sem o azul do céu, sem a luz que ilumina. Vejo seus medos, suas expectativas frustradas, suas crenças destruídas. Noto as marcas de um sorriso que já sorriu demais, mas que anda escondido por trás de uma linha fina.

Hoje esse alguém ainda chora. Hoje esse alguém ainda sente tanto por sentir demais... É um alguém que costumava não desistir tão facilmente, mas anda com a esperança em baixa. Só que esse alguém ainda brilha. Bem lá no fundo, posso ver seus olhos esconderem sonhos engavetados. Sonhos são o que mantêm nossa chama de tentar de novo acesa. Sonhos são o que nos move, o que nos faz continuar apesar de tudo. Sonhos nos permitem que não nos percamos de quem somos. Vejo que sua bagagem está tão cheia, tão pesada que deixa seu semblante forçado, como se a vida tivesse se tornado sua própria mala. Mas a vida é o caminho. A mala somos nós quem fazemos. Somos nós quem carregamos, portanto, carregamos o peso que quisermos.

Como é sentir o mundo de dentro se perdendo no de fora?

Sinto que esse alguém para quem olho pelo espelho tem o mundo de dentro perdido. Suas cicatrizes internas estão expostas. Suas crises existenciais em alta. Sinto como se o corpo estivesse se transformado apenas na capa que protege essa alma. No entanto, talvez seja a própria alma que se esconde no corpo para não enfrentar o que tem no mundo de fora. Mas é bem provável que sejam as duas coisas, afinal somos tudo e muito mais. Agora posso notar a dor em sua face. Sabe quando a gente dói por dentro em silêncio para que ninguém ouça nosso pedido de socorro? Temos medos de nos mostrar. Temos medo que descubram nossos segredos, nossas feridas tão bem guardadas.

Nos tornamos nossa própria capa protetora.

Mas, sabe o que mais consigo ver olhando para esse espelho agora? Que nada dura. E isso é muito triste, mas também quer dizer que a dor passa. Que as flores crescem, apesar dos espinhos. Que o sol ainda pode surgir, de novo e de novo, depois da tempestade. Que nada é tão difícil que a gente não possa aprender com isso. E que as cicatrizes, por mais internas, profundas e imprevisíveis que sejam, não são eternas. Se nada é eterno, entenda que a dor também não é. Agora, olhe para um espelho e veja o quanto você já suportou, mas não esqueça de ver o quanto ainda pode suportar.

Sorrio ao ver um riso se formar na imagem do espelho. Se meu mundo de dentro está bem, eu estou bem também.

Sorria.

A vida é a nossa única oportunidade de viver, então priorize continuar vivendo. Apesar de tudo.

Cicatrizes não te definem.
Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. eithaaaaaaa
    Que texto !

    "Sorria.

    A vida é a nossa única oportunidade de viver, então priorize continuar vivendo. Apesar de tudo.

    Cicatrizes não te definem. " amei

    Bjs

    Mel

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    1. Oi, lindona!
      Que bom que gostou. Fico feliz. Hehe
      Volte sempre.
      Beijos,
      Sâm

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  2. Ai meu DEEEEEEEEEEEEUS, que texto !
    Você arrasaaaa demais. amei muito. Vou colar na minha parede para ver se eu aprendo kkkk
    Bjs
    Duda

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    1. Dudinha! Hahaha
      Imaginei você dando esse grito.
      Colocar na parede foi ótimo. HAHAHA.
      Beijos, lindona, Volte sempre. Adorando você por aqui.
      Sâm

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  3. Doeu aqui ler esse textinho... muito me identifiquei.

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    1. Sinto muito por ter doído, Lú. Espero que tudo passe.
      Beijos,
      Sâm

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