Amor,

Ainda dói no fundo do peito

setembro 18, 2018 Sâmela Faria 0 Comments


Já faz tanto tempo, mas parece que carrego comigo todas as cenas na íntegra. Como se fosse ontem. Um ontem que nunca passa, que se eternizou no presente, que se nega a ser passado. Ainda dói, sabe? Dizem que eu não superei. Dizem que eu ainda guardo mágoas. Que eu não amadureci totalmente. Mas a verdade é que ninguém conhece o fundo da alma da gente. Ninguém nunca sabe como é conviver com isso todos os dias em que minhas pernas fraquejam, que meu peito chora e que as lembranças insistem em fazer lembrar.
A verdade é que nem sei mais como é que tenho ido. Talvez eu tenha estado esse tempo todo fora do mundo de dentro. Talvez eu tenha me agarrado ao que um dia fui, ao que um dia fomos, a tudo que eu pensei termos sido. Talvez eu tenha paralisado o tempo aqui dentro e jamais olhe pela janela para ver a vida passar sem mim. Ou talvez eu não esteja vendo as coisas como elas realmente são. Talvez eu esteja despencando aos poucos, mas sequer tenho notado. Aí quando dói, dói de uma forma que eu não sei como controlar.
E nem adianta gritar, sabe? Porque, quando dói, dói pra valer. Dói bem no fundo do peito. Ainda. Dói. Demais. Ainda. Machuca. Muito.

E olha quanto tempo já se foi desde o dia em que começou a doer. Olha o quanto nós já sobrevivemos. O quanto eu tenho estado fingindo que nada aconteceu e que não venho sentindo cada pontada forte. Estou me sentindo um vão, um vão entre o que sou hoje e o que eu era naquele instante. Um eco que berra de volta o que me tornei. Um silêncio que sussurra o quanto suportei sem querer suportar. Estou me sentindo como palavras sem retorno. Linhas incompletas. História inacabada por só ter havido capítulos pela metade.
O que passou, passou? Ou é tudo isso que venho sentindo sem permitir que passe?
Ainda dói no fundo do peito lembrar. Ainda corta fundo as camadas de orgulho que criei ao meu redor. Ainda fere a alma profundamente. Deixa marcas e mais marcas, como se não houvesse nada que pudesse cicatrizar totalmente. Me sinto como uma ferida exposta. Dessas que dói quando quer doer. Só para te fazer lembrar.
Sinto como se eu fosse o final da festa que destruiu quem não soube como se destruir sozinho. Mas, no fundo, era apenas eu no salão de dança, dançando sem sequer mexer o esqueleto, pois, de fato, eu me sacudia por dentro. Até sobrar as marcas da dança que não dancei, mas que guardei bem guardada para que pudesse me lembrar e doer tudo de novo. Como um álbum da dor, venho eternizando momentos que passaram sem que eu permita passar.

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