Amor,

Uma carta jamais enviada

julho 17, 2018 Escrituras da Alma 2 Comments


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Uma mulher feia discorda de Dostoiévski (em Noites Brancas):

Um momento de felicidade não é o bastante para iluminar uma vida.



Meu querido,



Eu era uma garota tensa, tola, que havia sofrido uma rejeição recente, traída por um namorado, estava magoada e com medo de um novo relacionamento, quando pela primeira vez fui realmente cortejada (à moda antiga) e admirada, por você; eu que era sempre a que se esforçava e muito para atrair a atenção dos meninos. Eu não sabia o que fazer ante o seu entusiasmo, sua espontaneidade e nem estava preparada para a violenta emoção que se apoderara de mim.

De fato, foi tão forte o desejo, a atração, que se chocou com todos os ‘não pode’ de minha educação rígida, e eu, sem saber como agir, travei. Por um lado queria rir, falar, mostrar-me, por outro, temia perder o equilíbrio, dizer bobagem, ser inconveniente, ultrapassar os limites de meus pais, ou desagradar você, não corresponder a suas expectativas (o que deve ter acontecido). Sendo mulher, em pensamentos, pus o vestido de noiva antes mesmo do primeiro encontro. Eu tinha tanta certeza de ser você o amado de meu coração! Coisa de mulher. Com os homens é diferente, é o hoje, depende do que vai rolar, a gente vê como fica o amanhã, tranquilo, honesto, sem fantasias.

Como eu gostaria de ter tido uma segunda chance!

Você reapareceu dois meses depois, e eu havia chorado tanto, e sentia tanta raiva pelo desencontro, e ainda por cima no dia seguinte eu tinha uma prova difícil na faculdade; fiquei seca, brava, inacessível quando você chegou como se nunca tivesse partido, como se dois meses fossem ontem, e eu nem dei a você a chance de se explicar – eu sabia que havia assuntos pendentes com sua família a serem resolvidos, e, talvez, percebendo minha emoção, você prudentemente tenha se afastado para enxergar melhor a situação, já que nossas famílias se conheciam e seriam afetadas por nossas decisões.

Desculpe, eu também o magoei e perdi meu rumo.
Rezei, ao longo dos anos, para que você fosse feliz, e tivesse uma boa vida. Chorei quando soube de seu casamento. Chorei quando minha filha nasceu de olhos e cabelos claros, como os seus.
Hoje sei que você foi feliz em sua vida profissional, e, também, com a família que formou.
Fico feliz por você. Que Deus o abençoe. E, se em outro momento, talvez em outra vida, possamos estar juntos, que o universo conspire a nosso favor. Obrigada por ter iluminado a minha juventude com seu carinho.

Aquela que nunca esqueceu seus olhos verdes cintilantes.


Autora:
Sonia Regina Rocha Rodrigues Santos/SP
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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Lindo, né? Foi de uma leitora, a Sonia!
      Obrigada pela visita, lindona! Volte sempre.
      Super beijo,
      Sâm.

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