Melodramas,

Um vazio chamado mudança

abril 02, 2018 Sâmela Faria 0 Comments


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Deito a cabeça no travesseiro velho que, de tanto uso, faz com que minha cabeça mergulhe em seu buraco central. Suspiro. Respiro aliviada por mais um dia. Respiro em agradecimento apenas por poder respirar. Viro de lado à procura do aconchego da cama, sabe aquele gelinho gostoso do outro lado? Mas ele não vem. Posso tentar de todas as formas, mas, de fato, o lugar que eu tanto adorava não é mais o mesmo. E eu me pergunto quando foi que tudo passou a ser apenas mais um vazio no quarto. Quando foi que minha cama deixou de ser a vítima dos meus choros, do meu desespero e melodramas.

Observo, enquanto ainda procuro um lugarzinho melhor na cama, o quarto manchado com uma leve luz vermelha vinda do abajur de tomada que comprei. Nem as luzes coloridas dão um toque especial mais ao lugar. Tudo parece tão sem graça. Tão, sei lá. Imagino como seria se eu mudasse cada móvel do lugar. Faço e refaço projetos decorativos e imaginários diversas vezes e espero que algo me agrade. Nada acontece. E então percebo que faz um tempo que nada acontece. Não é que eu não goste do meu lugar, do meu cantinho, mas parece que algo está se somando ao lugar, mas eu não vejo o que é. Porque não está aqui.

Levo um tempo para perceber que a vida é feita de fases e que, talvez, essa fase em que estou esteja chegando ao fim. É estranho dizer que tenho medo? Que tenho um medo da porra do que pode vir depois? A gente vai tentando fugir, não é? A gente tenta fugir o tempo inteiro das correntezas que nos levam para o meio do oceano, em um lugar onde ainda não estivemos, em um lugar diferente, mas meu medo mesmo é que eu não saiba nadar. Eu não posso me deixar levar até que pare em um canto qualquer. Tenho que saber guiar, mas nunca fui boa em direções. Nunca fui boa em apostas. É que, mesmo com o quarto vazio e a vida estacionada por já ter percorrido todo o caminho dessa fase, tenho o direito de não querer ir. E, no entanto, será mesmo que pretendo ficar? Não há manual e talvez esse seja o único lado bom: nenhum de nós saberá como vai ser.

Seremos condutores. Seremos os construtores daquilo que está por vir, seja lá o que isso queira dizer. Olho para o relógio pela última vez tentando encontrar as respostas para minhas incertezas: está na hora mesmo? E cada vez mais eu tenho certeza que só nós mesmos podemos chegar a essa conclusão, e a única coisa que tenho certeza é que tenho medo dessa próxima fase. E mais ainda quando sei que pode acontecer mais rápido do que eu sequer poderia imaginar. Não estou pronta, mas vou sem me aprontar mesmo. Afinal, a vida não espera que a gente se apronte, ela vai, se não formos junto, ela nos engole.

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