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Não quero um amor de cinema



Leio notícias no jornal. Leio revistas intituladas como “o amor está no ar”. Suspiro ao assistir as mesmas cenas de romance das novelas. Viro os olhos ao notar as mesmas atitudes no cinema. Tenho enjoos ao perceber que o que as pessoas encenam, não entra em cena em um mundo real. Não é assim que as coisas são, sabe? Somos um grande talvez, não é? Somos imprevisíveis, um caso curioso a questionar. Somos um mar de dúvidas e mudanças. E não é assim que as coisas começam, como a gente vê na TV. E nem é assim que terminam, como vemos nos contos de fadas. Desliga, desliga! Penso ao ouvir um “você é tudo pra mim” do carinha com padrão perfeito para aquela cena. Ao mesmo tempo em que balanço a cabeça ao notar a reação da mocinha ao ouvir essas palavras.
Que bizarro o amor seria se fosse sempre como na poesia. Que bizarro o amor seria se fosse sempre como na melodia. Que loucura o mundo seria se fosse como nos cinemas, na TV,  nas novelas. Que estranho o casal seria se fosse perfeito apenas para uma capa de revista cheia de corações flutuantes e frases romantizadas. As coisas fogem do real e eu entendo que as pessoas gostam mais assim. O real dá medo. É assombroso, no mínimo. Eu compreendo mesmo. Não queira me caçar na rua, por favor, sou uma boa pessoa. Só não acho legal que nós sejamos induzidos a querer tanto um amor de cinema. Eu na quero um amor de cinema. Quero um amor verdadeiro, sem programação perfeita, sem modo manual programado. Sem previsões caretas.
Quero um amor sem rodeios, sem padrão, sem cena de corrida na chuva quando o melhor é dançar nela. Quero um amor que seja honesto e diga quando algo está ruim. Que ria da minha cara quando eu cair depois de notar que não me machuquei e não que me trate como se fosse de vidro. Que não ache  a menor graça em minhas piadas, mas que mesmo assim as escute até o final só para dizer o quão sem graça sou, não que force um riso amarelo. Quero um amor que seja feito de momentos sinceros, não um amor de vitrine, engomado e bem cuidado superficialmente. Não quero um amor de cinema, pois não vivo em um. Não faço cenas, vivo dias. Não quero um amor de verão, quero um amor que dure o tempo que durar. Não desejo um amor de comercial de margarina, porque quero um amor real.
Um amor que diga não, da mesma forma que diz sim. Um amor que aceite o que for preciso e, no entanto, entre em guerra para que algo melhore. Um amor sem as limitações de um buquê de flores. Um amor sem o tamanho de uma caixa de bombons. Um amor que eu possa recordar dos belos momentos, mas que também me permita rever todos os momentos ruins que atravessamos. Um amor que respire igual a todo mundo só porque ninguém é o ar que alguém respira. Um amor que seja poesia, mas poesia com um choque de realidade. Um amor que seja filme, mas filme baseado em fatos reais. Um amor que seja melodia, mas melodia que fale da vida da gente. Da vida que a gente leva, não da vida que a gente fantasia levar. A fantasia é um encanto, mas precisamos tomar cuidado ao fantasiar demais. Uma vida fantasiada é diferente de uma fantasia vivida. É preferível viver uma fantasia real que apenas fantasiar uma vida apenas por ser bonita. Nós vemos beleza onde queremos ver. O amor que quero para mim não cabe na tela da TV. 
Sâmela Faria 
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