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#Resenha: Não chore, não - Mary Kubica

agosto 18, 2018 Sâmela Faria 0 Comments


Título: Não chore, não
Autora: Mary Kubica
Páginas: 304
Ano de publicação: 2018
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A História

Com sua amiga desaparecida, Quinn se vê obrigada a vasculhar a vida da tão perfeita Esther a fim de tentar descobrir o que pode lhe ter acontecido. A polícia parece não ajudar no momento e ela só pode contar com um amigo do serviço, que também é amigo de Esther, para poder tentar juntar as peças do seu sumiço.
Conforme ela vasculha a vida da amiga com quem divide o apartamento, começa a pensar se realmente a conhece de verdade. Quem é realmente Esther? Esther que parecia tão perfeita e amável agora pode ser que esteja se mostrando de outra forma, afinal, todos temos segredos. Quinn encontra nas coisas de Esther cartas endereçadas a “Meu bem” e mais algumas outras coisas estranhas das quais jamais desconfiou. Quem é realmente Esther? Quando Quinn descobre algo mais sério que envolve a amiga, toda a sua confiança vai por água abaixo. Será que Esther...?

Em paralelo, temos a história de um jovem infeliz com seu serviço e vida que encontra em uma mulher misteriosa a atração que precisava para sua vida. A mulher, que antes nunca estivera no local de trabalho dele, agora vai até lá e se senta sempre no mesmo lugar, mantendo os olhos fixos em algum ponto lá fora.
Alex se vê perdido nessa mulher e passa a chamá-la de Pearl em sua mente. Todos os dias, ele vai trabalhar na esperança de a ver novamente. Mas os encontros por acaso acontecem também fora de seu serviço, deixando Alex cada vez mais intrigado com a moça. E é só quando ele passa a conhecê-la que percebe que ela é real, que o intriga de um jeito bom, mas que também dá medo.



Os Personagens

Quinn é uma menina que saiu de casa para ir morar com uma desconhecida. É, isso foi há muito tempo atrás, porque hoje ela e Esther são amigas. Pelo menos é nisso que Quinn sempre acreditou. Trabalhando como assistente numa empresa de advocacia, Quinn leva uma vida monótona e sem muita emoção, afinal todo seu dinheiro vai para pagar sua parte do aluguel e a comida que precisam comprar. Quinn mantém uma paixão platônica por seu colega de trabalho, Ben. Com o desaparecimento de Esther, juntos, Ben e Quinn, começam a vasculhar a vida de Esther, para tentar descobrir alguma pista. Sua vida muda totalmente quando as pistas a levam a histórias cada vez mais tenebrosas.
Alex é um cara bacana. Ele trabalha em um café, mora com o pai bêbado, de quem tem que cuidar, e sustenta a casa. Sua vida é a mais tediante possível e ele sabe de cor tudo o que vai acontecer todos os dias, porque parecem dias que se repetem. Alex tem seus dramas familiares e um deles é por ter sido abandonado por sua mãe. Mas, apesar de tudo isso, ele segue no ritmo repetitivo dos dias, até que encontra Pearl. Pearl é o nome que ele deu a ela, a mulher misteriosa que aparece no café onde ele trabalha e senta sempre no mesmo local. Ele observa todos os seus movimentos. Ele a venera e deseja saber tudo o que se passa em sua mente, mas é reservado ao último e jamais toma coragem para perguntar algo. Quando, de repente, ele tem a chance de finalmente falar com Pearl, acaba descobrindo coisas sobre ela que jamais imaginou.
Esther é a amiga de apartamento de Quinn que está desaparecida sem deixar rastros. Ela é uma moça que todos gostam logo de cara, tem uma beleza singular, trabalha em uma biblioteca e gosta de ajudar as pessoas. Esther é o tipo de pessoa que ninguém duvida de seu caráter e personalidade. Ela é simplesmente boa demais para as desconfianças. É a melhor amiga que Quinn já teve. É alguém em quem se pode confiar. Ou tudo isso era apenas fachada?
Ben é amigo de Quinn, que também virou amigo de Esther. Ele é um cara gente boa, que ajuda Quinn em tudo sempre que pode, afinal, ele tem namorada e dedica boa parte de seu tempo a ela. Ele trabalha na mesma empresa que Quinn e quer ser advogado. E quem sabe se, talvez, na tentativa de encontrar Esther, ele acabe se encontrando...


Capa, escrita e detalhes

Gostei bastante da capa, pois traz um toque sombrio, deixando um suspense no ar e várias especulações logo de cara, sem sequer ter lido nada. E, depois de lido, percebe-se que a capa tem tudo a ver com a história. Simplesmente encaixou perfeitamente.
A escrita da Mary não é uma escrita leve, é carregada de informações, devaneios dos personagens, profundidade da alma de cada um deles. No entanto, nem de longe é uma escrita difícil e arrastada, como li em algumas resenhas que falavam sobre o livro. Confesso que algumas informações parecem um pouco sem necessidade, mas eu entendo a vontade da autora de nos fazer entender quem é aquele personagem e é só por meio dessas narrativas que temos a chance de conhecê-los ao fundo. Nesse livro, em especial, achei que a autora foi bem menos detalhista no que diz respeito a esses devaneios e mergulhos pela mente de quem narra. Gostei bastante.
A narrativa é em primeira pessoa e alterna entre Quinn e Alex. Cada um deles mostra sua forma de ver o mundo, o que pensam e o que sentem e nos dão a chance de bisbilhotar o mundo através de suas vistas. E é assim que vamos construindo hipóteses em cima de hipóteses para essas duas histórias.
A história tem muita coisa em jogo. Nossa maior ânsia é entender quando e se as duas histórias poderão se encontrar. Passamos a leitura inteira tentando entender o motivo de haver duas histórias que, a princípio, parecem ter nada em comum. E aí aos poucos algumas pistas vão surgindo, nos mostrando alguns possíveis caminhos. E então você começa a especular tudo que lhe vem a mente. Tudo mesmo. E, quando finalmente, as duas histórias se esbarram, você percebe que tudo o que imaginou foi em vão.
É isso, né? Típico da Mary Kubica. Dona de nos fazer ir por um caminho e depois nos mostrar outro completamente diferente. Com esse livro não é diferente, vamos de página em página construindo vagarosamente alguns castelinhos que podem vir a fazer sentido, até que tudo desmorona de vez. Completamente surpreendente.


Conclusão

Quando terminei o livro, fui ler algumas resenhas. Li umas no skoob e não posso discordar mais. Fico com vontade de dizer assim “você leu errado, não pode”, mas no fundo sei que as pessoas interpretam e gostam das histórias de formas diferentes. Penso que simplesmente não foi o momento bom para aqueles que não gostaram, ou eles realmente não gostam desse tipo de livro ou sei lá o que, porque, sim, eu adorei.
É claro que ele não ultrapassou o meu favorito da autora que é A Garota Perfeita, resenha aqui, mas com certeza superou o segundo da autora que li A Desconhecida, resenha aqui.
Um ponto que me deixou bastante intrigada é que nesse livro a autora usou várias formas de suspenses, me deixando realmente com medo. Sempre leio antes de dormir, então já podem me imaginar com os olhos estatelados feito coruja no meio da noite engolindo esse livro, porque foi assim mesmo que aconteceu. O suspense me pegou em cheio, me deixou arrepiada várias vezes e morrendo de medo do final.
O único ponto que acho que poderia ter sido melhorado no livro é no final, ou depois do final, melhor dizendo, mais duas páginas seriam o suficientes para me deixar mais realizada com a história. No entanto, como não posso dizer o motivo, vou deixar a questão no ar para que você leia e tire suas próprias conclusões.
Enfim, recomendo muito o livro para quem ama thrillers assim como eu! O final é de fazer cair o queixo, vai com tudo!

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