#Resenha: O que o sol faz com as flores - Rupi Kaur

Título: O que o sol faz com as flores

Autora: Rupi Kaur

Editora: Planeta de Livros Brasil

Páginas: 256

Ano de publicação: 2018

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Por este se tratar de um livro de poesias e poemas, não se adéqua ao padrão pré-estabelecido e utilizado pelo blog, portanto, esta resenha se dará em forma de texto corrido.

Quando recebi o kit do livro O que o Sol faz com as Flores da editora Planeta, fiquei muito feliz, afinal estava muito ansiosa para essa leitura, já que favoritei para a vida o primeiro livro da autora, Outros jeitos de usar a boca, leia a resenha aqui.

No entanto, minha vontade era de ler uma ou duas páginas por dia, mas só que não. Por dois motivos: é impossível parar de ler e eu tenho prazos a cumprir. Comecei a devorar no mesmo dia, indo embora mais de cem páginas. Que difícil, não é? Quando o livro é bom, é bom mesmo e ponto final. Ah, ok. Vamos parar de ladainha e ir para a resenha que é o que você, que veio parar nessa página, quer realmente ler?
O livro O que o Sol faz com as Flores é dividido em partes, como o primeiro livro, só que nesse, são cinco partes. As partes são: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer. Você deve ter percebido que essas são etapas que as flores costumam seguir, certo? Por isso o título e por isso o conteúdo maravilhoso do livro inteiro.

Em murchar, Rupi nos leva a interpretar poemas e poesias que recitam a vida de uma forma mais dolorosa, onde as coisas desandam, principalmente no amor e nos relacionamentos. Então, nessa parte, o livro fala sobre ciúmes, términos, ausências, anseios, partidas, dores, desilusões e indignações. É nessa parte que você põe para fora aquilo que estava guardado dentro do peito durante tanto tempo, mas que nunca contou para alguém. Pois bem, Rupi contou por ela, por você, por nós.
amar você era como respirar
mas já sentindo falta de ar
antes que chegasse aos pulmões
- quando se vai cedo demais
um dia eu percebo
que tudo em você que me dá saudade
nunca chegou a existir de verdade
- eu me apaixonei por uma miragem
Em cair, e talvez a parte em que mais senti na pele, em que mais me desesperei, Rupi traz palavras que vão nos devastar totalmente, afinal, cair não é fácil, mas bastante doloroso. Então, nessa parte, o livro fala sobre perdas, depressão, dor novamente, mudanças de comportamento, aceitação, autoconhecimento, solidão, algumas verdades duras sobre nós, mulheres, autoestima, sobre o corpo, autodestruição, etc. É a parte em que a autora começa a contar mais sobre o que parece ser de si mesma, histórias com um toque mais particular, poesias maiores, que te chocam.

 deixa pra lá
deixa que vá
deixa rolar
nada
neste mundo
foi prometido ou
era seu de qualquer jeito
- tudo que você tem é você
Depois de cair, eis que surge a parte de enraizar. Foi quando eu pensei que sorriria, que estaria me reerguendo, pronta para abrir com lindas pétalas, mas fui pega de surpresa. Rupi nos dá lições de vida, mencionando sua família e sobre tudo o que viveram e tiveram que passar. Não sei se são poemas que retratam o real, mas eu sei que muitos já passaram/passam por algo assim, então senti novamente na pele. Foi uma das partes mais delicadas e tocantes do livro. Achei surreal. Então, nessa parte, o livro vai falar um pouco sobre a vida de imigrante, o lar, a família, sobre fuga, sobre filhos, conselhos, diferentes mundos e épocas, infanticídio feminino, raízes e valores.
e se a gente bater na porta
e fecharem na nossa cara eu pergunto
o que é uma porta ela diz
quando estamos escapamos da boca do monstro
 
Quando chegamos em crescer até dá aquele alívio e você pensa “ufa, sobrevivi”, porque Rupi sabe como dar uma surra delicada e sincera sobre a vida apenas com palavras que fincam dentro de nós. Então é aqui que as coisas começam a andar para frente, sabe aquele famoso seguir em frente? Nessa parte do livro, você vai querer fazer exatamente isso, porque as palavras de Rupi nos enche de esperança, mesmo antes tendo nos massacrado momentos atrás. Crescer fala sobre recomeços, seguir em frente, novos amores, celebração, sentimentos, relacionamentos, sexo, orgasmo, compromisso e almas gêmeas. É a parte que te faz sorrir em meio às emoções.
não existe um ponto
em que você começa e eu acabo
quando seu corpo
entra no meu corpo
somos uma pessoa só
- sexo
hoje cedo 
contei para as flores 
o que eu faria por você
e elas abriram

E, por fim, mas não menos importante, chega-se a parte de florescer. É que não basta crescer, certo? É preciso florir por aí. É a segunda maior parte do livro, pelo o que pude perceber, sendo a primeira a parte de cair. É nessa parte que sua autoestima se emociona, pois Rupi, com seu poder mágico de empoderamento poético – isso ficou bom? – faz com que percebamos o quanto somos especiais por sermos quem somos, do jeitinho que somos. É a parte em que o livro vai te mostrar como é bom se amar, se autodescobrir e se permitir... florescer. Então, aqui, o livro fala de autodescoberta, autoestima, empoderamento, liberdade, amor, mulher, sobre o corpo novamente mas de uma forma já empoderada, família, beleza, representatividade e como, apesar de tudo, é possível desabrochar. 
eu não vou
comparar meu caminho ao caminho dos outros 
- me recuso a fazer um desserviço à minha vida
aqui bocas nunca faltam
mas quase nenhuma merece
o que você oferece
doe-se a poucos
a esses poucos
doe muito
- invista nas pessoas certas
Eu amei essa ideia da Rupi de seguir essa linha de etapas das flores, que foram tão bem pensadas, combinando perfeitamente com o título do livro e, principalmente, com a vida. Foi lindo! Uma leitura que relerei sempre que possível, uma página por dia – que aí não terei mais prazos –, pois esse é aquele tipo de livro de cabeceira, sabe? E que serve para qualquer ocasião, dias bons e ruins, amigos, familiares... é um ótimo presente, com certeza. Aí vai a maior verdade sobre essa resenha: favoritei para a vida.

Algo que não posso deixar de mencionar é sobre todo o capricho que, como no primeiro livro, tanto a autora tanto a editora tiveram com a edição. Está simplesmente perfeita, como tinha certeza que estaria! É completamente apaixonante só de folhear o livro, com lindas ilustrações demonstrando os principais escritos, escolhidos a dedo, creio eu. É um livro que faz passar por um processo completo, e, ao terminar, você sente que pode voltar a respirar, a sentir, se sentir. É um livro que te liberta das suas piores correntes. Ele te dá possibilidade de levantar voo por aí, sabendo bem em quais montanhas pousar.

Estou simplesmente encantada tanto com a escrita da autora e também com o livro por completo. Eu recomendo muito para todo mundo, mas principalmente para aqueles que amam poesia/poemas, assim como eu, empoderamento, escritos sobre a vida real de uma forma sincera e delicada. Recomendo muitíssimo principalmente também para todas as mulheres, porque esse livro fala sobre nós, foi escrito para nós e por nós. Vale cada centavo, cada segundo. Leia!


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