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#Resenha: O fundo é apenas o começo

maio 06, 2018 Sâmela Faria 0 Comments


Título: O fundo é apenas o começo

Autor: Neal Shusterman

Editora: Valentina

Páginas: 272

Ano de publicação: 2018

Onde comprar: Amazon / Saraiva

“O que acontece quando o seu universo começa a sair da ponto de equilíbrio e você não tem a menor experiência em reconduzi-lo ao centro?

A história


A vida de Caden está em uma maré de altas vibrações, e agora ele vive em dois mundos. Em um mundo, ele mora com os pais e sua irmã mais nova, tem seu quarto, sua casa, alguns poucos amigos e a escola. No outro mundo, Caden vive a bordo, em um navio cheio de tripulantes, um capitão e um papagaio tagarela.

Sua mente se ramifica diante de todos os acontecimentos em seus dois mundos.

No mundo visto como real, Caden percebe que está correndo perigo, que alguém quer matá-lo na escola e começa a agir estranhamente, cada vez mais. No fundo, ele sabe que provavelmente nada está acontecendo, mas não consegue deixar de sentir que alguma coisa está errada. Quando seu comportamento vai mudando, seus pais começam a perceber que ele está agindo fora do comum e decidem hospitalizá-lo.

No mundo a bordo, Caden faz parte dos tripulantes do navio que segue uma longa viagem. Alguns tripulantes são mais velhos, outros sãos os oficiais, piratas, como o capitão. Mas há também os rapazes jovens que cometeram delitos e foram mandados para lá como uma forma de reabilitação, assim como Caden.

Como saber o que é real e o que é imaginário? E quando o imaginário e o real se misturam te fazendo perceber que um só existe por causa do outro? E quando se esbarram e se tornam uma coisa só?

Alguns personagens


Caden é um rapaz de quinze anos de idade. Ele mora com os pais e a irmã. Ele ama desenhar e está sempre rabiscando o que sente. Sua vida muda quando ele começa a ter pequenos surtos, delírios que vêm e vão, mas que sempre deixam algo para trás. Caden começa a crer que está correndo perigo de vida, mente para os pais dizendo que está fazendo parte da equipe de corrida da escola, mas o que faz nesse tempo é perambular sozinho pelas ruas, engolido por seus pensamentos e imaginação. Caden começa a agir cada vez mais estranho, seus amigos se afastam, todos os olham de forma diferente, e ele começa a ter pensamentos perturbados, a sonhar acordado até que não sabe mais o que é real e o que é apenas fruto de um mundo ilusório.

A família de Caden, pai, mãe e Mackenzie, sua irmã, estão sempre dando forças a ele. Se preocupam e tentam ajudar, embora não possam fazer muita coisa sozinhos. Eles não o abandonam nunca, mesmo quando as coisas apertam.

O capitão é o guia do navio, ele tem um tapa-olho, o rosto curtido, rugas, barba escura e desgrenhada. Ele passou a vida inteira no mar e é quem guia o navio a essa longa viagem cujo destino é incerto. Ele tem um papagaio tagarela, que também tem um tapa-olho e carrega um crachá no pescoço.

Carlyle faz parte dos tripulantes do navio. Ele é o faxineiro, um cara ruivo e com um sorriso simpático. Embora não seja um dos oficiais, ele não é mais um jovem, é mais velho. Caden gosta de conversar com ele e vice-versa.

Calíope vive no navio também. Mais especificamente, ela vive na proa do navio, condenada a suportar as ondas feroz do mar. Seu nome, Calíope, significa musa da poesia.

Shelby e Max são os amigos de Caden. Com eles, Caden gosta de criar jogos em RPG. Max é gênio da informática. E Shelby é quem desenvolve os conceitos do RPG. Já Caden se destina a desenhar os personagens. Mas tudo tem sido muito diferente há algum tempo, agora tudo está mudado...

Capa, escrita e detalhes


A capa desse livro é simplesmente maravilhosa de linda. Aliás, a edição completa do livro está incrível! Depois que começamos a captar a intenção da narrativa, percebemos como a capa reflete perfeitamente a história de Caden. Simplesmente amei.

A escrita do autor é muito cativante. Se trata de um livro que te emociona, que te faz refletir, que te prende de uma forma muito louca, na verdade. Os capítulos são curtos, alguns nem passam de uma página inteira e isso faz com que a leitura seja muito fluída, porque você acaba pensando algo como “só mais um capítulo”, e quando vê, já engoliu dez. Adorei isso. Considerei a leitura bem fluída, com uma escrita que te faz entender perfeitamente a mente do protagonista, seus anseios, suas paranoias, suas agonias, imaginações e sentimentos.

O fundo é apenas o começo é um livro que vai te tirar da zona de conforto logo nas primeiras páginas. Confesso que, de início, o leitor pode se confundir bastante, inclusive se não costuma ler sinopses, como eu. É que, no princípio, não dá para “pegar” a intenção do autor, o que é que se passa na vida de Caden e onde se pretende chegar com a divisão de capítulos, que vai contando alternadamente sobre os dois mundos em que o protagonista se encontra. Mas, mesmo assim, é impossível parar de ler, porque a questão é entender justamente isso. E, não sei se o leitor irá terminar com respostas concretas para as questões levantadas, mas vai entender perfeitamente como é que alguém com esses tipos de delírios se sente. Como é que passam por isso e motivos que podem levar a tais coisas, mas nada será classificado, portanto, leia, reflita, perceba nas entrelinhas e tire suas conclusões sobre o quanto há de nosso imaginário adentrando em nossa realidade e vice-versa. É que chega em uma parte da leitura em que nos permitimos delirar junto com nosso protagonista...

“E eu vejo coisas. Quer dizer, não vejo exatamente, mas sinto. Padrões de conexão entre as pessoas por quem passo. Entre os pássaros que revoam das árvores. Há um sentido nas coisas do mundo, ainda que só eu possa encontrá-lo.

O momento da internação, da medicação, das vivências em que Caden é submetido também emociona muito. Acompanhar tão intensamente essas etapas na vida do personagem foi forte e muito tocante. O autor soube nos permitir estar com ele, com todos eles, nos permitiu não apenas ler sobre o que acontecia mas sentir exatamente tudo o que cada um sentia. Outro ponto positivo da narrativa foi a conexão que somos levados a encontrar entre o mundo real e o irreal de Caden. Nos sentimos em outros lugares com ele...

Conclusão


De início, como falei, estranhei muito a leitura, embora tenha lido bastante rápido vários capítulos de uma só vez. Logo assim que percebi a intencionalidade contida na narrativa do protagonista, aquela sensibilidade toda, aquele olhar além daquilo que costumam ver, aquilo que mais ninguém anda vendo, percebi que, em certos pontos, me identifico com Caden. O que são vistos como delírios são etapas da mente humana sendo arremessada a algo que ultrapassa o que todos esperam de você. O que todos esperam que você veja, seja, sinta, viva.

Caden é um tipo de personagem muito bem construído, muito bem pensado e que me fez enxergar através de sua visão tão profunda sobre as coisas. O fato de ele estar passando por algumas tempestades, em que sua estrutura anda vulnerável e em um tremendo balanço sem fim, não o faz ser estereotipado pelo leitor. Caden te faz ver além, e foi isso que me fez gostar tanto dele.

O livro toca profundamente o leitor. Senti que uma parte minha estava sendo exposta nas entrelinhas dos pensamentos de Caden, um personagem tão intenso. Senti como se eu estivesse sendo lida de vez em quando; em outras vezes foi como se estivesse lendo a alma e a mente de Caden. A forma como o livro foi escrita que te possibilita isso, pois foi perfeitamente bem construído e minuciosamente pensado a cada capítulo, com intuito de permitir que o leitor mergulhe na realidade irreal e na irrealidade tão real da vivência do protagonista.

Há um mundo ilusório escapando pelas frestas  de realidade da vida...

Eu gostei muito da leitura e recomendo!

Citações favoritas


“Lá embaixo é a eternidade [...] Não permita que ninguém o convença do contrário.”

“As coisas que sinto não podem ser traduzidas em palavras, ou, se podem, são palavras numa língua que ninguém pode compreender.”

“Minhas emoções têm o dom bíblico de falar em idiomas desconhecidos.”

“Se olhar para o abismo, ele olhará para você.”

“Há momentos em que me sinto como se fosse o garoto gritando no fundo do poço, e o meu cachorro sai correndo para mijar numa árvore em vez de ir buscar socorro.”

“Você sabe que pode tornar o navio de piratas tão real quanto qualquer outra pessoa, porque não há mais diferença entre o pensamento e a realidade.”

“Só porque a viagem é longa, não significa que você deva participar dela para sempre."

👉 Assista ao book trailer:

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