Amor,

Nascemos perfeitos

março 04, 2018 Escrituras da Alma 2 Comments



Passamos a vida toda à procura de uma metade. Bom, pelo menos eu sim, estou sempre à procura de alguém que me transborde. Falo sobre transbordar e não completar. Com o tempo, aprendi que já nascemos completos, mas isso levou um bom tempo. Foram longas caminhadas, grandes decepções, até entender que sou completa. Apenas preciso de alguém que seja completo também para, juntos, somarmos. Ou talvez não... 
Antes eu andava em uma procura excessiva da minha metade da laranja, do encaixe do meu coração, da minha alma gêmea, e por aí vão os nomes que damos a este outro indivíduo que estamos procurando. Ao longo do caminho, me deparei com pessoas que à primeira vista – nooossa! – pareciam ser perfeitas para mim, mas depois de algumas conversas e até trocas de carinhos, percebia que não se encaixavam, até me machucavam, pois eu insistia em tentar encaixar algo que não era para mim. Também existiram outras que, de cara, eu já sabia que não dariam certo, ou eram quadradas ou pontiagudas, sei lá, só sei que não eram da mesma forma que eu, então eu saí correndo, e, às vezes, também me enganava. 
No caminho até encontrar essa minha metade, que eu achava que iria me completar, me deparei com pessoas legais que não eram o meu encaixe, melhor dizendo, não eram meu encaixe de par romântico, mas eram encaixes de amizades. Andei sozinha por alguns lugares, e, no fundo, tinha dias que gostava dessa solidão; foi ali que fui me conhecendo, admirando as coisas pequenas da vida e da natureza, como por exemplo uma flor, a lua, principalmente cheia, que amo, o pôr do sol. Apreciei uma boa música, às vezes dançante, outras românticas mesmo não estando apaixonada mas  porque a letra me tocava; até mesmo comia bastante doce ali, sozinha, deitada na minha cama, olhando pro teto.
Até o dia em que trombei com minha metade, ou melhor, peguei uma carona com ela... Eu estava finalmente completa, ou melhor, acreditava estar, corria para todos os cantos de mãos dadas com minha metade, fazíamos tudo juntos, estava perfeito, até eu me cansar daquilo... Com o tempo, vi que perdeu a graça, o encanto passou, e parei somente em um lugar, não conheci mais ninguém, não aprendi mais nada com meus erros e acertos, não tinha mais meu tempo somente na minha companhia, na minha liberdade. Foi quando descobri que sempre fui completa, que não precisava de metade, precisa, talvez, de alguém completo para me transbordar.
Hoje em dia ando por aí, distraída da vida, e posso garantir que ando feliz, não ando na procura excessiva de alguém, se vier é lucro, se não bola pra frente. A verdade é que gosto da minha solidão, das minhas amizades, até das minhas bads, gosto de ouvir um modão doido, acordar e não ter aquela “obrigação” de mandar mensagem pra alguém. Hoje, mando quando quero e pra quem merece. Gosto de conhecer gente nova pra somar aprendizados.

E assim segue a vida. 
Sabe, leva um bocado de tempo pra gente perceber que somos completos, mas a própria sociedade, ou ate nós mesmos antes de nos conhecermos a fundo, acreditamos cegamente que precisamos de uma metade. Nessa procura abusiva e louca, perdemos grandes momentos únicos jamais vividos novamente, perdemos também pessoas que poderiam se encaixar na gente, mas por falta de percepção não vimos. Com o tempo, percebi que a falta dessa metade faz falta, confuso, não é? Mas é exatamente a falta dessa metade que dá sentido a vida, dá aquele frio na barriga, dá aquela vontade gostosa de viver, de seguir a vida.  
Minha inspiração para esse texto está no livro A Parte que Falta, que recomendo muito. E aí está outra coisa que senti falta quando estava com minha metade: escrever, eu até que escrevia, mas tinha apenas um único destinatário, já agora escrevo para todos, escrevo para quem se identificar, e isso me transborda de alegria.
Autoria: Cláudia Goliver 


Texto enviado pela leitora Cláudia Goliver. Leia mais no blog dela! Envie seu texto também!


2 comentários:

  1. Ai que lindaaaa, voce compartilhou aqui mesmo <3 :) que honra, voce nem imagina, aguenta coração rs
    Obrigada lindona, e tu ja sabes sou fã numero um do blog ne, mesmo as vezes dando uns sumiços sempre volto rs
    Beijooooss e obrigada
    http://claugoliver.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Cláudia! Eu te enviei um e-mail avisando, não recebeu?
      Enfim, fico feliz que tenha gostado, lindona! <3
      Obrigada por todo carinho de sempre, viu? Fico feliz demais.
      Volte sempre! <3
      Super beijo,
      Sâm

      Excluir

E você, o achou do post? Me conte aqui nos comentários!
Deixe seu link para eu conhecer seu blog também. ;)