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A gente aprende a ser ponto final



Imagem via Pixabay

Faz tempo que não paro de ouvir aquela música. Essa mesmo, que me faz lembrar do tempo em que decorávamos os desenhos das nuvens no céu. Do tempo em que apostávamos quem conseguiria contar mais rápido as estrelas numa noite silenciosamente gostosa levada pelo vento. Do tempo em que soletrávamos as notas musicais das melodias em uma divisão caótica dos fones de ouvido. Faz tempo que venho lembrando do tempo que fez o que todo tempo faz: passou. Mas, sabe, o tempo passa e as lembranças fincam. Não apenas ficam. Elas fazem uma guerra dentro de nós e tudo se torna um tremendo caos. Chamo esse caos de desamor.

Quando nosso fim chegou, não procurei esquecer você, acredite. Eu procurei desamar você. Como esquecer o que se ama? Passei a bater de porta em porta na avenida das lembranças, vasculhando cada pedacinho de nós dois. Afinal, o que eu procurava? Procurava suas falhas. Procurava seus erros, aqueles maiores que me fizeram despedaçar o coração em lágrimas. Aqueles que roubaram vários sorrisos. Esses mesmos que me fizeram ter noites em claro. Porque, simplesmente, eu não sabia amar de menos. Tinha que ser eu a criatura que amava de mais?

Quando avistei resquícios do nosso fim, passei a odiar começos. Sabe aquele primeiro dia de aula em uma nova turma? E aquele novo emprego? O primeiro dia? As primeiras paqueras? O maldito primeiro namorado? Não acreditava mais em nada disso. Porque tudo isso, mesmo que fosse bom no começo, chegaria ao fim um dia. E eu não gostava dos finais. Eu não gostava da angústia de viver em um dia que acaba. Em um ano que acaba. Em uma vida que... você sabe. E foi aí que me tornei unha e carne das reticências, onde sempre vem algo depois, não é?

Passado um tempo, sorri ao perceber que eu sorria sem você. Sorri ao constatar que eu era amada sem o seu amor. Sorri ao encontrar comigo sem marcar hora contigo. Eu sorri por me amar sem amar você. Sorri ao reconhecer a leveza do meu riso. Eu sorri, cara. Sorri ao me olhar no espelho e perceber minha beleza sem que a sua estivesse ao meu lado. Então passei a ser ponto final. Passei a permitir que as coisas acabem. Passei a continuar levando a vida, mesmo que a vida levasse para sempre aqueles que eu amava.

Veja bem, você teve total escolha de ficar, mas resolveu ir. Deixou para mim a fase “vida que segue”, lembra? Eu segui. Carreguei nossa história como um fardo, talvez o mais pesado que já havia carregado até hoje. Mas, quer saber? Quem é virgula e já foi reticências, aprende a ser ponto final também. Aprende a assistir o “the end” na tela, se entristecer e chorar, mas, principalmente, aprende a ver o fim chegar. E talvez a melhor coisa: aprende a ver o efeito destruidor do fim acabar. Assim como a gente acabou. E eu segui adiante.

2 comentários:

  1. Oiee demorei mais cheguei haha ameiii principalmente o ultimo paragrafo me identifiquei. parabéns lindona bjss

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    Respostas
    1. Que bom, lindona! <3
      Obrigada, viu?!
      Super beijo e volte sempre!
      Sâm

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