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Do estado de dormência ao recomeço



Hoje acordei mais calma, mais ágil e consequentemente mais humana comigo mesma. Há aquele certo tempo em que você tá nem aí mais pelo o que se tornou. Tá nem aí mais pelo o que deixou de ser. Pelo o que perdeu e não correu atrás de conseguir de volta, ou até mesmo algo melhor. E sabe quando você se tranca naquele mundinho só seu e não vê mais o que acontece ao seu redor? Hoje eu acordei bem mais que acordada. 

Sentei na beirada da cama  e notei uma pequena luz flertando da janela. Desliguei a música triste que tocava na caixinha, sabe-se lá quanto tempo e eu não ouvi. Havia roupas espalhadas por toda casa. Louça na pia. Lixo transbordando. Paredes amareladas transpareciam toda a minha relutância. Toda a minha insignificância própria. O cachorro gritava de fome. A TV ligada no último volume, juntamente com o aparelho de som, que já não tocava mais nada. Não havia mais comida. Não havia mais calendário, pois o mesmo estava parado na data de três meses atrás. 

Era uma manhã difícil, porém eu estava finalmente acordada. Aquilo tudo ali representava um estado choco. Sem jeito. Um estado crítico. Uma dormência irrelevante. E o clima estava ficando brando, mais limpo, mais claro. Ninguém aparecia fazia exatamente três meses. Ninguém telefonava e nem procurava saber de mim. Não existiu um alguém para me acordar daquela noite longa, sono pesado, pesadelo estridente. 

Mas estou acordada. E agora vejo que tudo não passou de uma alucinação ruim. E mesmo que tudo isso seja difícil de enfrentar, o que mais poderei fazer se não continuar? Os passos são meus. Os transtornos também. E quem deve decidir onde pisar – mesmo com medo – sou eu. Era tanta poeira, que eu não pude mais ver o que existia de bom ali. Ao abrir as janelas, amplamente vi que eu dormi durante décadas, pertencente talvez ao modo maquinal. Automático e aleatório.

Logo eu que jamais pensei que fosse gostar de acordar, de levantar da cama macia e aconchegante para por em prática o que não mais é uma opção. Era escolha quando eu estava consciente dos atos, mesmo que mal tomados. Era escolha quando eu tinha um objetivo perante a vida. Agora não mais. Retrocedi a alguns períodos, e estou em desaprovação comigo mesma. E é assim que a gente descobre que para um bom caminho, não é aconselhável se debruçar em cima de muitos. Não é a toa que cada um tem seu próprio corpo, alma e modo de agir. Só você mesmo pode fazer  aquilo que mais ninguém poderá fazer por ti.  Levantar e seguir não são mais uma escolha, tem que ir como der e como for. Mesmo que tenha estado dormindo durante décadas, pense mais em você e insista em um novo amanhecer.
-Sâmela Estéfany

10 comentários:

  1. Adorei o post!

    http://garotaon-top.blogspot.com.br/

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  2. Muito lindo o texto!
    É bem estranho mesmo quando caímos na real de como a nossa vida esta atualmente.
    e temos que começar do 0.
    Parabens pelo texto.
    Beijos.
    http://modaeisaquestao.blogspot.com/

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    1. Exatamente, mas o importante é recomeçar quantas vezes for preciso!
      Obrigada Natália!!
      Volte sempre!!
      Beijos

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  3. Temos sempre que seguir em frente, mesmo depois de momentos ruins! Adorei o texto!
    Beijos... Samantha Culceag.
    Só pra Menores

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    1. Apesar de termos dias ruins, isso aí disse tudo.
      Obrigada samantha!!
      Volte sempre!
      Beijos

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  4. Olá Sâmela, retribuindo a visita super fofa que você me fez.
    Eu estou encantada com seu blog, lindo, simples, leve...
    E esse texto? Lindo!
    Vc faz Pedagogia? Faço Letras, mas tenho o Ensino Médio formação de professores. Já tive vontade de ser psico tbm rs
    Ah, estou seguindo, beijos linda!

    http://coisasdajuuh.blogspot.com.br/

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    1. Olá Juliana,
      sim estudo Pedagogia, e eu também já quis fazer Letras, mas estou adorando a Pedagogia!! Muito obrigada linda, fico feliz por isso!!
      Seja muito bem vinda e volte sempre!!
      Beijinhos

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  5. Perfeito o texto.
    Vc escreve muito bem, já pensou em fazer um livro?

    detudoumpouco28.blogspot.com

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    Respostas
    1. Muito obrigada! Já sim, quem sabe um dia! rs'
      Volte sempre!
      Bjs

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