Livros,

#Resenha: A Lista Negra (A Lista do ódio) - Jennifer Brown

março 25, 2019 Sâmela Faria 0 Comments


Título: A Lista Negra (A Lista do ódio)
Autora: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Páginas: 272
Ano de publicação: 2012
Onde comprar: Amazon

“As pessoas faziam isso o tempo todo, acham que “sabem” o que está se passando na cabeça de alguém. Isso é impossível. É um erro achar isso. Um erro grande. Um erro que, se você não tiver cuidado, pode arruinar a sua vida.”

💨 NOTA IMPORTANTE


Essa não é uma resenha normal.
Fui convidada pela Mari para participar de uma leitura coletiva. Topei, porque amo leitura coletiva. O livro escolhido foi A Lista Negra, que, claro, eu ainda não tinha lido mas queria ler faz tempo.
Começamos a leitura. Durante, tivemos sprints e muita conversa com troca de opiniões no grupo de Whatsapp que foi criado. Estava tudo bem, certo? Eu estava gostando muito da leitura... até que...
Até que uma ficção não tão fictícia assim se torna mesmo real.
Até que, sim, duas pessoas, um deles era adolescente, abrem fogo em uma escola de São Paulo. Sim, isso realmente aconteceu um ou dois dias de eu ter terminado a leitura de A Lista Negra, que, sim, conta uma história bastante semelhante.
Isso me destruiu completamente.


A História


Já imaginou se nossos desejos mais insanos fossem realizados?
Nick e Valerie são namorados. Eles se conheceram na escola e se tornaram o apoio que o outro precisava em momentos ruins. Apelidos depreciativos eram destinados a eles pelos colegas da escola em que estudavam. Eles sofriam Bullying.
Os dois não suportavam as pessoas que sempre faziam isso com eles. Quem iria suportar?
Por causa disso, Valerie havia começado uma lista. A lista Negra.
Nessa lista, ela colocava o nome das pessoas que lhe causavam mal, com apelidos, grosseria ou por simplesmente estarem juntas com as que praticavam Bullying com ela, seja rindo ou sem fazer nada contra.
Quando ela conhece Nick, ele começa a ajudá-la com a lista. Eles começam então a ampliá-la, colocando o nome de todos que também fazem Bullying com ele. Os dois passam a usar a lista como uma válvula de escape.
Pelo menos era isso que Valerie pensava.
Quando Nick abre fogo contra vários alunos da escola em que estudam, Valerie começa a entender que ele realmente queria que aquelas pessoas morressem. Ela começa a entender o quanto sua lista, que era apenas um modo dela de expressar seu descontentamento, está servindo de base para que Nick se perca no meio de todo aquela tragédia.
Como ter sua vida de volta após tudo isso? Como voltar à escola onde todos lhe culpam? Como encarar a própria culpa que você se atribui? Como superar perder quem ama de uma forma tão terrível enquanto todos o consideram um monstro?

Capa, escrita e detalhes


Não vou falar sobre os personagens. Acho que seria muito... tanto para mim quanto para você que ainda não leu, mas quer ler.
A capa do livro é tragicamente bonita. A editora lançou uma nova edição do livro, em que o nome A lista Negra foi mudado para A lista do ódio por questões depreciativas do termo “negra” ser acometido como racismo. Então, a nova edição do livro também mudou um pouco a capa. Eu, particularmente, prefiro a primeira capa, mas, claro, com o segundo nome – que tem muito mais a ver com a história, aliás.
A escrita da autora é muito direta. Não achei que o livro foi muito romantizado, apenas deu voz ao sofrimento da protagonista, mostrando suas fraquezas, seus medos, seus pensamentos. É uma escrita muito fluída e que te faz querer engolir as páginas rapidamente. Impossível largar.
O livro é narrado de três formas: por reportagens jornalísticas, onde conta como tudo foi noticiado depois e durante o acontecido; por lembranças da protagonista de antes e de durante o acontecido; e os dias atuais, em que ela é obrigada a voltar ao lugar no qual sua maior dor é revigorada.
Inicialmente, como disse na nota dessa resenha, eu estava adorando a leitura, embora reconheça que é uma leitura árdua e cheia de dor. No entanto, após o acontecido em Suzano, SP, me peguei repensando todo o livro... e não, já não sei mais o que penso sobre.
É tão diferente de quando você lê sobre algo e apenas imagina... Minha imaginação se concretizou sob meus olhos quando acompanhei, vidrada e cheia de sentimentos conflitantes, todas as reportagens sobre o caso de Suzano. E não, não adianta virem me dizer que são casos diferentes...
Para mim são exatamente iguais.
Doeu tanto, sabe? Tanto... que a história do livro congelou dentro de mim. Todas as sensações que eu senti ficaram intactas e deram lugar para os novos pensamentos e sentimentos que o caso real estava me fazendo sentir.
Fiquei com raiva de mim. Com raiva do mundo. Com raiva das reportagens. Com raiva de tudo.
No entanto, não posso negar o quanto sofri com a protagonista. Ela teve sua vida roubada, sua personalidade contestada e uma culpa avassaladora lhe caiu sobre os braços. Tudo o que ela viveu me fez perceber o quanto essa história é importante ser lida, mas o caso de Suzano ser tão semelhante me fez perceber o quanto delicado é o assunto...

Conclusão


O livro traz personagens muito bem caracterizados e construídos. Você vai odiar a maioria deles, mas está tudo bem, porque é importante para tentar compreender a protagonista e até mesmo o próprio Nick.
É um livro que aborda um assunto muito difícil de abordar, mostrando tudo do ponto de vista de alguém que viu e conviveu de perto com o acusado. É uma história difícil e que vai te fazer chorar. Vai te fazer sentir na pele da protagonista.
Mas também vai te revoltar muito. De inúmeras formas.
Diante de todas essas questões, não sei se recomendo o livro para todos, principalmente para os mais jovens...
Sei que se trata de um assunto extremamente importante e delicado, e que precisa ser tratado, mas já não sei mais se o livro o fez com maestria. Tenho minhas preocupações e dúvidas.
No entanto, recomendo para quem deseja entender melhor todo o contexto. Recomendo para quem gosta de ler sobre ou estuda sobre, por exemplo.

Citações favoritas


“Às vezes, em um mundo onde os pais se odeiam e a escola é um campo de batalha, era ruim ser eu.”

“Fiquei na calçada, sentindo-me naufragada em meio àquela maré estranha de garotos e garotas passando por mim, empurrando-me para a frente e para trás com seu movimento, mas nunca me deixando solta no mar.”

“As pessoas más são aquelas que não dão uma segunda chance a você.”

“Mas olhei para as roupas amarrotadas no chão, os livros jogados ao lado da cama, a TV com sua tela manchada e suja, e parei. Parecia ser trabalho demais limpar toda a minha tristeza.”

“Dobrava-me como uma bola e, depois que meu corpo parava de se dobrar, minha alma continuava. Dobrava-me, dobrava-me e dobrava-me até me tornar algo apertado, enrolado, minúsculo.”

“Você pode colocar as peças juntas e forçá-las a se encaixar, mas, mesmo que consiga isso forçando, de fato, elas não se encaixam exatamente, não ficam certas. Era assim que meu cérebro estava. Como se eu estivesse forçando peças de um quebra-cabeça para elas encaixarem.”

“Parecia que eu estava cheia de nada, como se estivesse cheia de nuvens, talvez, o que acho ser apropriado quando se acorda de um mundo de sonho como aquele para a realidade horrível, feia, tão horrenda que tem gosto, forma.”

“Mas estava errada. Eu era tanto monstro quanto a garota triste. Não conseguia separar os dois.”

“Alguma vez o sol brilhou enquanto você visitava a sepultura de alguém que amava?”

“Ela me entregou os catálogos, e inclinei-me sobre a mesa para pegá-los. Eram pesados. Gostei de sentir esse peso. Pela primeira vez, o futuro parecia ter mais consistência que o passado.”

“Apesar da luta, sempre houve amor, o lugar seguro, o lar para onde voltar”.
Comentários
0 Comentários

0 Recados:

E você, o que achou do post? Me conte aqui nos comentários!
Deixe seu link para eu conhecer seu blog também. ;)