Amor,

Quando o amor vira lar

novembro 05, 2018 Sâmela Faria 0 Comments


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Os dias vão passando e a gente passa a acreditar que as coisas ficam ditas nas entrelinhas. No começo, nosso mundo é feito de belas palavras ensaiadas. No começo, nossos dias são floridos de pequenas frases aqui, outras acolá e que formam um bom complemento depois, naquele momento em que você lembra tudo o que foi dito e repetido. As horas até parecem estar contra você, porque entram em modo acelerômetro constante. E você vai perdendo a vontade de ir embora. Você vai querendo ficar. E de “ficadas” em “ficadas”, seu coração escolhe fazer morada.

Quando o amor vira lar, tudo parece tão mais profundo. Quando o amor vira mistura de tempo bom com série gostosa de acompanhar, tudo parece encaixar tão perfeito que até os mais complexos quebra-cabeças parecem fáceis de resolver. Quando o amor vira batata frita e bacon num sábado à noite, com direito a dormida de conchinha, a vida parece cada vez mais fácil de superar. E você vai virando lar. Não é só o amor que decide ficar agora, seu corpo também quer. Seu corpo já se refugiou em outras curvas que não as suas. Já se perdeu em outra temperatura que não a sua, mas que agora parece ainda mais perfeita.
Então o amor e o corpo viram morada que não quer ir embora mais. Sabe quando a gente procura as chaves de casa e não acha? Agora é a fase de sequer se preocupar onde a chave está. Só que você ainda tem a mente. Sim, ela é a que sempre entra em conflito com tudo. Porque, enquanto coração e corpo dizem, em uma canção impossível de não ser ouvida, que sim, sua mente vai listar todos os motivos para um tremendo não. E você vai ignorando. É que afinal quem precisa pensar muito quando se tem muito a sentir? Engano. Um abismo enorme de engano. É que nosso corpo, coração e mente parecem ser uma coisa só. E se não estão em concordância, você vai faltar. E ninguém quer alguém que falta, todos nós precisamos de alguém inteiro.
O cheiro de bacon já começa a ficar enjoativo, porque a mente te faz ver que bacon para sempre pode enjoar. O quebra-cabeça é resolvido e a mente te faz entender, logicamente, que a vida é bem mais difícil que peças quaisquer que precisam se encaixar. Nem sempre as coisas encaixam. E como faz quando o encaixe não é perfeito? Então a mente te faz perceber que curvas podem ser perigosas, que a temperatura muda tão drasticamente quanto o ponteiro do relógio. A mente te faz perceber que o tempo se consome sozinho, levando quem estiver pelo caminho, sem dó nem piedade. E você começa a olhar pela janela. Vê o mundo lá fora e se pergunta se tudo isso vale a pena.
Sua resposta é o que vai determinar tudo agora.
É só quando você diz que sim, que não importa a temperatura, se há bacon ou não, se a batata frita é sequinha e crocante, se o quebra-cabeça encaixa direito ou não, se as peças estão em perfeito estado ou se estão como uma maré de caos, é só quando você percebe que não importam as curvas de corpo nenhum, que não importa o perigo, o risco, o medo, as tempestades, o clima... o que importa mesmo é que você saiba que, sim, vale a pena.
E se descobrir que vale, agarre. Se escapar é sinal de que você não encontrou a resposta ainda.
Se é sim, então bem-vindo ao lar, aquilo que também chamamos de amor.

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