Inquietações,

Notas sobre uma manhã ensolarada

setembro 14, 2018 Sâmela Faria 1 Comments


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Há tanta gente aqui. Tanta gente por aí. Todo mundo tão junto, todo mundo tão separado. Uma multidão. Multidão de vazio, talvez. Multidão de egocentrismo, quem sabe. Sempre há de tudo por aí, não é mesmo? Como nesse exato momento: vejo pessoas rodeando a praça principal da cidade. Andam tão juntas, ao mesmo tempo tão sozinhas. Todos por ninguém, muitas vezes. Um por todos e todos por um? Raro. Um por um mesmo? Normal. Será egoísmo? Será medo uns dos outros? Serão as muitas tentativas de vencer na vida que não permitem que um dê a mão ao outro? Serão as diversas vezes em que nossa mãe disse para não falarmos com estranhos? Aprendemos a ser um estranho perfeito. Aprendemos a ser um só, mesmo em uma multidão.

E tudo bem. Juro.

É que, de fato, ser sozinha não é problema nenhum. Ser sozinha significa que a gente consegue, mesmo sem plateia. Mesmo sem alguém para dar aquela força, pois nos tornamos a nossa própria força. Nós nos tornamos inabaláveis e quem não quer ser inabalável sem precisar ter superpoderes? Quem não quer passar pelas etapas da vida sem ter que depender de um efeito purpurina que nos salve dos males? Quem não quer salvar-se, sem ter de esperar o príncipe do castelo branco chegar com sua espada? Pelo amor. Todas nós queremos ser nossa própria salvação. E, acredite, nós somos. Só precisamos, às vezes, descobrir isso. Porque não adianta alguém contar a você, você é quem precisa descobrir. Se descobrir.

A gente aprende a andar por aí com as próprias pernas, sem precisar esperar que alguém possa nos carregar no colo. A gente aprende, cara. Quebramos a cara. Erramos várias e várias vezes. Voltamos atrás. Tentamos desistir. Mas, de alguma forma, a gente continua. E dane-se se houve erro nessa margem toda que é a vida. Sempre há um jeito das coisas se consertarem. Sempre há um jeito de a gente tentar de novo. E que maravilha! Poder contar consigo mesmo é maravilhoso. Esplêndido. Uma das melhores sensações da vida. Mas, quando as coisas começam a nos afetar, podemos mudar, sabe?

Não é porque aprendemos a ser sozinhas que precisamos, necessariamente, continuar sempre assim também. A verdade é que a gente faz da vida a vida que quer levar. Quis ser sozinha esse tempo todo? Ótimo. Agora não quer mais? Qual o problema nisso? Quer ser sozinha, seja. Quer ter alguém, tenha. Não quer alguém? Tudo bem. Decidiu que agora já deu? Bola pra frente. A gente complica tanto a vida que já é tão complicada...

A vida não precisa de adjetivos, ela por si só já faz seu trabalho em ser complexa o suficiente. E parece que nós somos seu brinquedinho. Mas, sabe, brinquedos também são insubstituíveis, mesmo depois de quebrados.

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