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Isso não é um texto de solidão: Sobre os giros que a vida dá



É como ­se eu sentisse o mundo girar e nunca, nunquinha, saísse do lugar. As escolhas que a gente toma ao longo da vida te fazem ser quem é. Somos como meros competidores por sobrevivência no decorrer das esquinas da vida. Quando a gente é criança não imagina quão estranho é crescer. Sequer passa pela nossa cabeça que as coisas podem ser um tanto diferentes no mundo adulto. Não sei bem se é por isso que a gente estranha tudo quando, de repente, não pode mais pular as janelas, nem brincar no parquinho, nem jogar bola com os amigos ou fazer comidinha de mentirinha para uma visita imaginária.
É como se o mundo girasse, girasse e nada chegasse a seu devido lugar. “Vai passar” ouço dizerem, mas, no fundo, todo mundo sabe que um caos que acaba passando é rapidamente substituído por outro caos. A vida é feita de caos. E nós somos meros sobreviventes. Somos meras bolas sendo chutadas para lá e para cá. Sentimos o corpo pegar fogo, as mãos tremerem, as pernas cansarem e o coração pedir arrego, mas, jamais, podemos desistir. É bonito de se dizer, confesso. É necessário ser dito, admito. Mas ninguém aqui sai enganado, pois, no fundo, todo mundo sabe para onde é que a maré nos carrega. Para o fundo. Ou nos joga para fora, ou nos adentra ao enorme buraco que traz consigo.
É como se o mundo parasse de repente de girar, às vezes, e mostrasse sua capacidade de me manter no mesmo lugar sempre. Não que eu queira estar a cada hora em um rumo diferente, mas, quem disse que não precisaria de um? Coloquei um vão entre o futuro e o presente para que pelo menos consiga dar conta de um deles. Já o passado eu venho carregando, como um fardo, mas que traz consigo toda minha história. Uma história, nada mais nada menos, de lágrimas e sorrisos, mas que, de qualquer forma, me ensinou a torcer por dias melhores. E a levantar para a tal da batalha.
É como se o mundo inteiro fosse uma batalha. E quando tudo gira, cá estou eu na estaca zero novamente. Batalhando. Mas quase desistindo. Sorrio para as crianças do parque e jamais deixo transparecer minha tristeza em crescer. A gente só é criança uma vez, embora estejamos sujeitos a retornar a infância nem que seja um pouco ao envelhecermos. E embora tenhamos um pouco da criança que um dia fomos, ainda dá para dar uma derramada de lágrimas ao lembrar que a gente tentava levar tudo tão a sério, sem sequer saber que isso se tornaria nosso dever de casa todo santo dia depois de adultos.
Isso não é um texto de solidão. Apesar de a solidão ter um espaço só dela aqui. Esse é um texto que escrevo para todos aqueles que passaram pela infância querendo crescer e agora estão na fase adulta querendo voltar no tempo. Talvez nossa intenção é aproveitar para criar uma fórmula secreta que pare o tempo na fase em que tudo é motivo para gargalhada. Não que eu não dê mais gargalhadas, mas, hoje, quando isso acontece por livre e espontânea vontade, sinto um absurdo desejo de que o mundo pare de uma vez por todas de girar, só para que o momento jamais se perca, sabendo que, infelizmente, no momento em que eu desejar isto, ele já vai estar perdido. A vida é uma fila de espera e não dá para passar na frente dos outros tentando fugir. Ninguém foge do sofrimento que é esperar. Todos passamos por isso. E também não dá para ficar parado, aguardando que os dias tragam risos para serem colecionados. A vida gira, gira, gira e, se você hoje está de cabeça para cima e tudo está ok, aguenta firme que, lamento dizer, amanhã já passou.

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