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Eu só preciso que vá



Vai embora. Peço, carinhosamente, antes que vire mais uma vontade de te odiar. Quando te odeio, sofro mais que você. E, ok, sofrer. Mas, não ok, estar perto de você enquanto ainda sofro. Você não tem o direito de chegar na vida das pessoas e, sem pedir permissão alguma, entrar, florir, iluminar, colorir e, de repente, despedaçar tudo. E nem é este o motivo pelo qual quero te ver com as malas nas mãos. Quero que vá, porque, simplesmente, cansei de te ver indeciso em ficar. Quero que vá, porque cansei de estar em casa, sozinha, enquanto você estava fora, com seu riso solto por aí, avermelhando quaisquer bochechas, menos as minhas.
O problema nunca foi estar sozinha em casa, não pra mim, mas sim estar sem você, todos os dias, mesmo com sua frase espetacular que dizia que estamos juntos. Juntos? Não há junção alguma entre mim e você, não vê? Sinto você em um abraço, em um beijo, em um piscar de olhos penetrantes, mas nunca ao meu lado, mesmo quando está longe. E não é isso que “estar junto” possibilita? Na distância ou não, permanecer unidos, certo? Nós nunca estivemos juntos. Nunquinha. Mesmo quando você segurou a minha mão, enquanto eu me afundava em seu colo aos prantos assistindo um romance. Você estava ali, seu corpo, sua voz, seus olhos, mas não seu coração.
E se há algo que eu desejo, meu bem, é ter acesso ao coração das pessoas que amo. É poder tocá-lo, fazê-lo estremecer ou, simplesmente, amar. Você é frio. E sua frieza inunda a casa logo pela manhã. Não há cobertas, não há corpos colados por um suor pós-coito que esquente. Dá até para arrepiar o corpo estar bem colada em você, mas nada chega ao coração, pois seu coração está no modo automático há algum tempo e, talvez, um dia, ele possa voltar a sentir. E fazer sentir. Desejo que você volte a sentir. E, enquanto isto não acontece, vai. Vai, pois preciso resolver até que ponto sua frieza congelou o sistema emocional aqui. Vai, porque já tá tarde, sabe? Tarde demais para que eu possa pedir que fique como nunca realmente ficou.
Você é a cautela pela qual ando fugindo. É a rima que desaparece da música melancólica que toca no final das novelas. É o pedido de socorro, em um único sussurro, desse que não se ouve, pois é preciso sentir. E eu sou a esperança de um amor que arde na alma, que acalenta, esquenta e ferve e, ao mesmo tempo, acalma. Eu só preciso que vá. Eu fico aqui com minhas inundações receosas, mas que fazem meu coração funcionar, enquanto você fica com sua armadilha contra fazê-lo sentir, fazê-lo amar. 
Sâmela Faria 
Insta: @escrituras_da_alma


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