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Atelofóbica



Ela não está pensando mais tanto assim em suas qualidades, talvez por se sentir uma voluntária da imperfeição. Da que não faz parte do lado bom. E nem do lado ruim. Faz parte de nada, absolutamente nada. Ela não se arrepiou quando sentiu o vento bater em sua nuca pelada de cabelo jogado despenteado e embaraçado para cima – dizendo ser um coque bem feito. Soltou apenas um riso de lado quando ouviu sua música predileta, mas se reprimiu aos balanços desajeitados do seu corpo pelo ritmo. Piscou muitas e muitas vezes quando enxergou a imagem cansada de sua pessoa na vitrine de uma loja qualquer. Talvez, por não acreditar ser ela. Ou até mesmo, por simples desgosto, ou um gosto curioso. 

Ela anda tão corrido que não consegue enxergar seus próprios passos. Deslumbra uma curva grande em sua testa toda vez que dá de cara com um manequim vestindo rosa choque e salto alto. Acho que ela se recusa a se vestir assim. Não sorri para ninguém que julga estranho. Mas cumprimenta o porteiro como se fosse um alguém de sua família. Ela não empina seu nariz torto para ninguém, olha por debaixo dos óculos que chamam mais ainda atenção para a beleza de seus olhos brilhantes. Conserta o erro dos outros e, no entanto, não sabe como consertar os seus. A timidez que lhe corroi não lhe permite mostrar ao mundo todas as suas concepções de mundo e sua visão além do limite de alguns que lhe cercam. 

Ela abafa desesperadamente todos os gritos em pedido de autonomia do seu interior. Alimenta seus pensamentos à prova de muitas leituras constantes do que lhe dá agrado. Ela é um tanto quanto estranha para quem olhar assim de longe. Entretanto, para quem se chegar mais, acaba descobrindo sua preciosidade. É um pouco diferente, vai além dos padrões de beleza exercidos pela sociedade medíocre, dos limites de visões eternas e medievais e até mesmo, além do que os homens podem querer encontrar em uma mulher. Acho que por ela ter um medo brutal. Um medo que não lhe deixa ser menos que tudo isso. Um medo patético, mas que lhe ajudou a ser tão tudo que não confessa ser. O medo da imperfeição lhe fez ser tão melhor do que nem ela mesma poderia prever. 

12 comentários:

  1. Esse texto foi a definição de uma mulher tímida e cansada por dentro, mas forte e impactante por dentro! Eu adooooooro seus textos, você sempre passa uma imagem muito forte da garota, mulher, etc.
    Beijãão <33

    http://listadasnuvens.blogspot.com/

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    1. Ah, eu também adooooro os seus escritos, são incríveis!
      Muito obrigada viu?! ♡
      Volte sempre.
      Beijos

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  2. Uau que texto arrasou amooo seus textos, parabéns bjss <3

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    1. Muito obrigada Claudia!! ♡
      Volte sempre.
      Beijos

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  3. Seus textos são demaisssss! E esse? você descreveu perfeitamente uma mulher cansada, eu ameeei. Você escreve muito bem, parabéns.
    Queria que você desse uma olhada no meu blog, eu escrevi um texto e queria que você visse www.keep-calm-girls.blogspot.com

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  4. Muito obrigadaaaaa! <3
    Darei sim, Bella!
    Volte sempre.
    Beijos

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  5. Ei Sâ o texto que eu postei é esse aqui, queria que você visse: http://keep-calm-girls.blogspot.com.br/2014/10/ressaca-do-amor.html

    Obrigada, beijos.

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  6. Hoje, por um acaso, deixei tocar o player já que estou sozinha e ler esse texto ouvindo River flows in you me transportou pra um universo paralelo, me senti nessa garota que descreveu, muito boa a escrita e a sensação que me causou.

    http://essameninamoca.blogspot.com.br/

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    1. Opa! Que coisa boa!
      Obrigada Jessica!!
      Volte sempre.
      Beijos

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  7. Nossa to aqui perdida no meio dos seus textos.
    http://tecontopoesia.blogspot.com.br/2014/11/101-em-1001-primeiro-desejo-realizado.html

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    1. Opa! Isso é bom ou ruim? Espero que seja bom! rs'
      Fique a vontade!!
      E volte sempre.
      Beijos

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