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#Resenha: Black para sempre - Sandi Lynn

junho 01, 2018 Sâmela Faria 0 Comments

Título: Black para sempre (Trilogia Forever, livro 1)

Autora: Sandi Lynn

Editora: Valentina

Páginas: 256

Ano de publicação: 2015

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A História


Imagine sua vida como uma maré de azar e dor. Sua mãe morreu de câncer quando você ainda era nova. Seu pai virou um alcoólatra por não ter conseguido superar a morte da esposa. E você, bem, você é como um vai e vem no meio de todo o caos que é a vida, até que decide não mais viver. E aí continua vivendo.

Parece filme de sessão da tarde que, mesmo sendo clichê, nos emociona sempre, mas é a vida de nossa protagonista, Ellery. Só que, ao invés de Elley ser uma pessoa mal humorada e pacata, ela decide que, se a vida lhe de uma nova chance, o que pode fazer, no mínimo, é aproveitar cada segundo.

Seu mundo muda novamente quando, em uma noite ruim em que ainda sofre por ter sido deixada por seu namorado de quatro anos, encontra o homem mais lindo que já vira, mas também o mais arrogante, controlador e indecifrável ser que já conhecera.

Connor Black é um cara rico, empresário de sucesso, que vive sua vida em prol do trabalho. Em sua mansão enorme e bem moldada, ele passa seus dias e leva mulheres para sua cama, sem jamais deixá-las dormirem nela. Connor tem um jeito limitado de ver a vida, talvez por seu passado conter uma bagagem dolorosa. Quando conhece Ellery, descobre que a vida pode ser ainda mais impulsiva quando se trata de sentimentos.

Tentando fugir ou não, Connor vai estar por perto. Tentando ficar ou não, Ellery irá mostrar que permanecer vai muito além de apenas deixar de ir.

Personagens principais


Ellery é uma pessoa que sofreu muito ainda nova. Sua mãe morreu de câncer quando ela tinha apenas 6 anos, seu pai virou um alcoólatra depois disso por não ter conseguido superar e, antes de ela completar dezoito anos, morreu também. Aos dezesseis anos, sua vida é posta em risco, mas ela sobrevive. É quando a vida lhe dá uma segunda chance de viver que ela faz de tudo o que pode para aproveitar.  Ellery é o tipo de pessoa que é sempre alto astral, com um sorriso no rosto e os sonhos no bolso. Ela ama o mundo da pintura e é a ele que se dedica todos os dias, com o sonho de poder um dia vender seus quadros. A moça é uma meninona que, inconsequente e totalmente destemida, vive seus dias como se fossem os últimos, sem se importar com nada. Quando conhece Connor, de uma forma totalmente inesperada, seu mundinho colorido ganha tons de preto e branco, pois, embora ela também tenha cores apagadas dentro de si, jamais imaginaria que o homem mais lindo que já vira também pudesse tê-las.

Connor Black é um dos mais cobiçados multimilionários. Empresário de sucesso, o cara é uma lenda por onde anda, com seus olhos verdes penetrantes, corpo esculpido e cabelos quase loiros e desgrenhados de um jeito sexy. Ele é um homem totalmente fechado para o amor, que sequer considera a ideia de ter um relacionamento com alguém, suas relações se resumem a apenas sexo em sua cobertura de luxo. Mas Connor esconde suas dores através de sua postura sempre na defensiva, de forma controladora, que irradia um poder que talvez nem possua. Seu passado, que ainda dói em seu peito, sempre o atormenta, mas ele jamais fala sobre isso. Quando vê Ellery em sua cozinha, fazendo café como se fosse dona do lugar, fica furioso e tenta a tirar de lá... talvez devesse ter tentado mais, mas a verdade é que, bem no fundo, ele não queria. Algo fez com que ele quisesse estar mais perto dela. Mas o destino se encarrega de tentar afastá-los diversas vezes.

Quantas vezes alguém pode negar o para sempre até que descobre que ele pode existir?

Personagens secundários


Kile é o namorado de Ellery, ou melhor, ex-namorado. Eles ficaram juntos por quatro longos anos. Ele se tornara a única família de Ellery, junto com Peyton. O motivo da separação brusca é ainda um mistério, mas nossa protagonista sabe exatamente o motivo, só que jamais irá soltar aos sete ventos por aí.

Peyton é a melhor e única amiga de Ellery. Magérrima e com um metro e sessenta e cinco, ela é uma moça com uma personalidade exuberante. Tem cabelos castanhos compridos e olhos azuis. Ela gosta de estar sempre arrumada, maquiada e elegante. Ela é o tipo de pessoa que não tem travas na língua e nenhum tipo de pudor, sempre falando o que pensa destemidamente. Está sempre disposta a ajudar e se preocupando com Ellery.

Denny dirige a limusine luxuosa particular de Connor, mas se tornou um grande aliado e amigo de Ellery. Sempre disposto a ajudar, o motorista confessa à ela que nunca viu Connor agir assim com outro alguém. Ele sempre acha graça do jeito que Ellery faz seu chefe se sentir.

Capa, escrita e detalhes


A capa é linda e bem romântica, embora tenha me passado uma ideia bem diferente do que seria o livro, tem a ver com a história.

A escrita da autora, de início, foi viciante, pois não conseguia parar de ler. Li cem páginas sem ver a hora passar de tão presa que fiquei. No entanto, depois a escrita muda bastante para mim. No geral, é uma escrita muito simples, de fácil entendimento e flui bem na leitura. O que me deixou um pouco irritada foi a quantidade de diálogos. Outro ponto que me deixou irritada – dessa vez um pouco mais – foram as diversas vezes em que a autora contou todo um evento grande (tipo uma viagem) em uma única linha. Mas não é algo que vá te cansar da leitura. Em resumo, eu gostei da escrita.

Agora, chegamos ao ponto principal dessa resenha.

Como contei logo acima, eu comecei a leitura do livro e engoli cem páginas sem perceber. Não comecei com grandes expectativas, mas depois que comecei a ler e passei a amar a história, criei expectativas enormes. E talvez essa tenha sido minha falha.

A história começa muito bem, fluindo muito viciantemente, com um misteriosinho por trás de cada protagonista e tudo mais. De cara, eu amei a Ellery, tão cheia de vida, tão independente e feliz, uma verdadeira inspiração – coisa que amo em personagens. No entanto, Ellery muda drasticamente após mais de cem páginas – e para mim, ela se tornou outra pessoa. Não sei. Penso que a autora deu uma escorregada quanto a personalidade da menina doce que incendeia as primeiras páginas, transformando-a em uma garota mimada (o que não faz sentido dadas as circunstâncias de sua vida), egoísta e um pouco sem noção. Mas, enfim, a gente engole tudo isso (afinal, todo mundo tem defeito) e continua. Connor é um cara bacana a princípio, embora seja mostrado como um tremendo obcecado por controle, mas ele tem umas razões – talvez um pouco rasas, mas vai saber.

Embora eu tenha gostado bastante do começo do livro, a história ganha percursos totalmente inesperados – mas não de uma forma muito aceitável, pelo menos para mim. Traz um tipo estranho e bizarro de referência à anorexia e suicídio, coisa que achei bastante séria de ser tratada da forma que foi. Mas tudo bem, a gente desconsidera e continua de novo.

O livro tem vários altos e baixos, muita coisa acontece em poucas páginas, às vezes em um mesmo parágrafo ou simples frase, mas ainda assim consegue deixar a gente torcendo por esses dois. Até que, lá para o final do livro, as coisas desandam de vez. A autora criou situações bastante rasas – para não dizer desnecessárias – de brigas, discussões e desentendimentos. A nossa mocinha se mostra outra pessoa, parecendo muitas vezes uma adolescente de quinze anos. Isso me irritou muito, porque eu tinha amado a personagem de início.

Outro ponto negativo para mim foi o final. Depois de toda a luta da protagonista, a autora não soube construir uma justificativa para o que acontece, aliás, o final é contado em um epílogo, mas o final mesmo, aquilo que realmente queríamos saber, foi contado em pouquíssimas linhas. Achei que a autora deixou a desejar, pois se tratava de algo realmente muito importante.

Mas, enfim, apesar desses contratempos inesperados, a história de Ellery emociona em várias partes. Connor também tem um passado emocionante e triste a contar. O livro conta tudo muito rápido, mas deixa um sorriso na face da gente. Foi um amor que cresceu em meio a espinhos, mas acabou por florescer no meio do caminho. Espero que o jardim seja bem cuidado.

Conclusão


Bem, sendo bastante sincera, sei que muitos vão amar esse livro, que é de uma trilogia, aliás. E eu recomendo muitíssimo para quem ama romances de arrebatar. Mas, não foi um livro que amei ler. Para ser bem específica, amei até a metade, depois, fiquei torcendo por esses dois malucos, não importasse o quanto eu via problemas na narrativa, mas foi apenas isso.

E eu acho que é para isso que esse livro existe: para te fazer crer que um amor, mesmo na impossibilidade, pode dar certo. E que nós não somos perfeitos. Imaturidade, falta de juízo, egoísmo, entre outras coisas, podem aparecer e desaparecer instantaneamente e a qualquer momento.

Também não posso deixar de olhar para a realidade da protagonista, que é bem grave e desesperançosa, portanto, não faço ideia do quanto ela estava sofrendo, o que se passava em sua mente, de fato, já que sua bagagem do passado não é nada legal. Ao final do livro, procurei compreender suas atitudes e relevar seu temperamento bizarro, porque ela foi uma guerreira, apesar de tudo.

Então, se você amou A culpa é das estrelas, Mil beijos de garoto ou Raio de Sol (esse é meu favorito da vida), vai gostar de Black para sempre. É um romance que precisa ser visto, lido e contado. Espero ansiosa para o segundo livro, com uma Ellery mais madura e com o mesmo jeito doce do início do livro, ainda mais que esse livro termina deixando no ar uma possibilidade maravilhosa para o casal.

Enfim, recomendo.

Citações favoritas


“[...] ele me fazia esquecer todas as coisas negativas na minha vida, mas a ironia disso é que a mais negativa de todas era ele próprio.”

“Mesmo que já tenha sido magoado, você tem que colar os cacos e seguir em frente. Todo mundo já foi magoado pelo menos uma vez na vida, alguns mais do que outros, mas você tem que escolher o que fazer com a dor.”

  “Isso é uma coisa que você decide se vai ou não fazer. Você pode ir em frente e levar sua vida mais normal possível, ou abrir mão da vida e deixar que o sofrimento te consuma.”

“Porque chega um momento em que você tem que entender que algumas pessoas podem ficar no seu coração, mas não na sua vida, e essa é a minha maneira de manter você no meu coração.”

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