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Querida amargura,

Sinto dizer que estou passando. Isso mesmo. Não vou permanecer aqui esperando que você passe. Não mesmo. Estou passando porque desisti de continuar. Estou apenas me dando a chance de ir sem que você tenha ido antes. Acho que posso dizer que estou me antecedendo. Estou só adiantando as coisas para nós. Você ia embora, eu sei, mas estou indo primeiro sem olhar para trás. Estou indo de olhos grandes no horizonte que avisto à frente. 

Eu sei, claro, que as coisas não serão fáceis por lá também. Eu sei também que você me assombrará por onde eu for. E que vai bater à minha porta pedindo abrigo e eu, provavelmente, irei aceitar, porque estarei cega demais de olho nas possibilidades da vida. De olho nas amostras nada grátis de risos sinceros. Mas, sabe, amargura? Até lá eu já terei entendido o motivo de sua insistência em jogar pedra no telhado de vidro dos outros. Vai ver sua alegria é desalegrar quem mantém um brilho vívido nos olhos. 

Mas eu entendo. Você, um  total beco sem saída, de tortura em tortura, prefere se fazer pulga e criar morada nas almas alheias. Quando você, enfim, me afundou até o mais profundo estágio de angústia, pensei que não chegaria à superfície novamente. E, no entanto, estou aqui, não estou? A gente aprende a ser ferro quando tudo parece despencar como porcelana. Ou a gente quebra, ou suporta a queda. Eu me fiz espinho quando parecia que um mar venenoso me atingia. 

E agora estou aqui, apenas para dizer o quanto você me fez aprender a encontrar desvios que me tirassem dos apuros da vida. Desses que não sobrava ar. Só vim dizer que estou pronta para passar por suas angústias mais profundas. Estou pronta para seguir em frente, mesmo depois de ter tentado buscar razões que comprovassem minha necessidade de desistir. Estou indo, mas não pense que não espero que volte a jogar pedrinhas em minha janela. Pois, quando isso tornar a acontecer, estarei angustiadamente esperando para utilizar todas as forças que acabei adquirindo em todo esse tempo que esteve presente em mim. 

Estou indo, mas espero visitas. Vou cuidar desse edifício lá fora, pois já há estragos pra caramba dentro de mim. 

Sâmela Faria 

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