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O que a gente nunca esquece



Eu vi você, não foi na rua, nem na esquina da praça, muito menos no portão da sua casa. Mas te vi. Vi seus olhos, refletiam bem estar, sonhos pulsantes e uma felicidade sem igual. Seus lábios resplandeciam um riso suave, porém sincero. Nada li em suas bochechas coradas, porque eu não queria mesmo saber como poderiam chegar nesse estado sem que tivessem minha presença. Nada vi em seu jeito, inquieto, doce, puro. Nada quis enxergar em sua forma de soletrar as palavras, eu não quis saber de você. E também, nada ouvi da sua voz rouca e baixa, destemida, determinada. Eu não queria ouvir o que tinha pra dizer.
Existem coisas na vida da gente que nunca esquecemos, como o dia em que me fez esperar uma década em uma enorme fila de algodão-doce para, no final, decidir comer pipoca. Como o dia em que contamos as estrelas e você fez um pedido para uma delas, eu estava no seu pedido. Será que não acreditou tanto assim? Também teve o dia em que nós nos beijamos debaixo da bancada daquela lanchonete que íamos e o atendente já sabia exatamente o que pediríamos. As pessoas aplaudiram, mas não faziam ideia que duraria bem menos do que durou aquele beijo. As pessoas aplaudem certas coisas que mal sabem a respeito e isso me irrita.
E a gente sofre durante um tempo, que pode ser curto ou longo, mas se tratando de você foi o suficiente para fazer doer. Uma dessas dores que dói de matar, mas não mata tão fácil. Vai sufocando, prendendo o ar, transformando tudo ao redor, deixando tudo mais nublado, com céu esfumaçado. Consegue imaginar? E depois que você se sente alucinada em uma estrada qualquer com manchas do passado que insiste em não ser presente, mas que não sai de você, você se sente aliviada. Exatamente, um alívio incansável. E aí quando você decide sorrir, voltar a ver as flores nos espinhos da vida, o coração desmancha ao te ver em um sonho que poderia ser qualquer, mas se tornou importante o bastante para me fazer perceber que não era pra ser. Eu te vi em sonhos e nunca mais quis saber de sonhar.
O que a gente nunca esquece, insiste em lembrar. É estranho porque, na maioria das vezes, eu quero mesmo é esquecer. E eu poderia jurar que sim, que daríamos certo, mas, você sabe, nenhuma ferida dói pra sempre e eu não quero mexer nessa novamente. Você se tornou uma ferida pra mim, dessas que machucam muito em um primeiro momento, mas que, depois, seca e vira apenas uma dor passada, que sempre dói mais um pouquinho quando não dói pra caramba. O que a gente nunca esquece, fica aqui, dentro de nós como uma memória impulsionada, você nunca quer tocar no assunto, mas suas lembranças insistem em te fazer lembrar. Até doer novamente. Não como antes, talvez com um pouquinho de alívio. Já ouviu falar em dor que alivia? Pois então, você é uma.
Sâmela Faria

2 comentários:

  1. Amores e desamores fazem parte da vida.
    Gostos dos teus textos ;)
    Abraços Mika
    Pensamentos Viajantes

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    Respostas
    1. E eu fico honrada com isso! Hahaha.
      Obrigada Mika, linda!
      Volte sempre.
      Beijos,
      Sâm.

      Excluir

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