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Um quê de insatisfação



O dia amanheceu nublado, como se quisesse me informar que lá fora não seria um bom lugar para pisar meus pés. Tudo muito calmo por sinal. Muito de se estranhar até. Cadê os galos do vizinho cantarolando no meu ouvido? Onde está aquele povo que liga o som bem alto às seis horas da matina? E o cachorro da dona Dalva que, nossa, late mais do que come?! Eu não sei, e essa é uma prova que nem tudo que se estranha não ter mais, é sinal de que se sente falta. Ah, mas não mesmo. Além do lindo dia que não se tinha por trás da janela, eu estava com uma tremenda preguiça de levantar daquela cama – que parecia estar possuída, me acorrentando contra si – e dar o primeiro passo em direção ao banheiro, depois criar coragem para viver mais um dia. Mais um dia que eu nem sabia como seria. Mas também não tava tão afim em saber.

O silêncio, há hora que é uma das melhores companhias. Eu escreveria um livro agora, só com o silêncio da casa e o barulho dos pensamentos. Mas eu não tenho muitas escolhas, tenho que colocar qualquer um dos pés e mais uma vez levantar. Essa tal de liberdade é tão limitada que não sei muito bem para o quê existe. Não vejo autonomia tão bem criada assim, tão bem acessada e realizada. Eu já deveria estar fazendo alguma coisa, ao invés de estar aqui tentando reivindicar meus próprios conceitos. Ou de estar tentando encontrar a aranha daquela teia maldita que ilustra minha lâmpada. Faz um bom tempo que não faxino. Nem as estantes, nem o guarda roupa, o chão, os cantos, o teto, a vida. Mas é difícil pegar na vassoura e tentar limpar tudo, quando esse tudo já se tornou escaldante. E eu nem estou falando da bagunça da casa. E sim da bagunça da vida.

E esses pensamentos que não param? Deveria haver botões por nosso corpo, desses que nos permitisse controlar tudo que roda e que não chega a rodar por aqui. Acho que chega, já pensei muito por hoje e em tão poucos cinco minutos. Essa é a tal da liberdade, você pensa que faz algo por sua livre e espontânea vontade e descobre que é totalmente movido com o coração&pensamento, sendo que estes podem estar tão errados quanto você estaria, caso estivesse sozinho nessa. Ih, o sol abriu, deixa-me ver o que o dia vai me causar. Se você também está aí parado e com preguiça de viver, vou me contrariar completamente e te dizer: Levanta logo porque os dias não esperam por você. Assim como na vida só não vale a pena, não viver.

6 comentários:

  1. Haha arrasou, puxa hj estava ou estou exatamente assim com uma preguiçaaaa de levantar e encarar a vida... bjs querida.
    http://golivercacau.blogspot.com.br

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    1. Não deixe a preguiça te vencer! Haha.
      Obrigada linda!
      Volte sempre!
      Beijos

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  2. Ameeeei, voce escreve super bem! parabéns.

    Beeijos, ♥

    http://www.paaradateen.com
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    INSTAGRAM: @luannaandrade_

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    1. Obrigada Luana!! ♡
      Volte sempre viu?!
      Beijos

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  3. Nossa, adorei o texto <3.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Obrigadaaa Inês!! ♡
      Volte sempre viu?!
      Beijos

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